Odeio o amor que (ainda) sinto

Complicado. Longe de mim falar de dor de cotovelo por aqui, já que o lance é olhar de fora pra si mesmo, nem que por uns minutos, sobre como a gente se sente em relação ao alvo do nosso amor, ou melhor, sobre como a gente se sente a respeito do nosso próprio sentimento.

Eita.

Já escutei trocentas vezes algo como “pior que eu ainda o amo”. Vejo gente se arrepender de amar, veja só, justamente o sentimento supremo. O Apóstolo Paulo que me desculpe, mas o amor é ferida que dói e se sente sim. Não tô me referindo a relacionamentos abusivos não. Tô falando de quando o amor faz mal pra gente de uma certa forma. Fica tóxico.

Você está com sua vida em ordem quando vem aquele sentimento forte por alguém. E isso começa a mexer com seus planos e você começa a projetar sua vida ao lado daquela pessoa. Mas talvez ela não te ame de volta. Não é culpa sua nem dela.

Você nasceu e cresceu num lugar. E aí planeja envelhecer ali, afinal é o que alguns podem chamar de “lar”. Mas aí instalam UPP na zona sul e de repente sua área começa a ficar violenta, sem mais nem menos. Não é culpa sua nem do seu lugar.

E tem a mãe do bandido. O lutador de boxe que é melhor amigo do seu próximo oponente. Santos Dumont que não aguentou ver sua obra-prima usada na guerra. O eleitor da Dilma que botou o Temer de vice. O que não falta é história de sentimentos contraditórios por aí.

Não importa o alvo do seu amor, o “sucesso” da relação depende de mais fatores que nossos corações estão dispostos a encarar. O amor é um risco e eventualmente não se contrapõe ao ódio, se tornando inclusive amigo dele – e é essa a hora que nossa mente explode. A gente começa a odiar o amor que ainda sente. Começa a ser complicado lidar com essa contradição toda que nos invade.

Chorar?

Só sei que cada um tem seu jeito de se livrar do amor. Em todo caso, livrar-se do amor é também livrar-se do ódio. Mas o lance é que nem sempre a gente PODE ou a gente QUER se livrar do amor. Mergulhados em veneno, vamos intoxicando nossas próprias vidas até que o alvo do sentimento tome uma decisão. Seja pacificado. Caia na real. Se livre do PMDB. Não sangre durante a luta.

Ou simplesmente nos ame de volta.