Um dia curtiram Berenice

Na lista de amigos no Facebook, apenas nomes. Apenas links para fotos de pessoas distantes, que na falta de uma classificação gentil ou sincera, agrupam-se sob o título de “amigos”.

Berenice percorre a lista, à procura de um rosto, algum nome, alguma boa lembrança que valesse o clique. Um apertar de botão que lhe traria paz e faria esquecer por uns minutos a loucura dessa vida. A lista acaba. No centro da tela, aparecem umas coisas engraçadas. Fotos de gatinhos.

Berê se contorce.

Pensa em escrever algo publicamente, um convite para sua vida. Berenice só quer o carinho de outro ser humano. Nessa coisa de tecnologia e tudo mais, nada que Berê escreve tem relevância. Berenice foi excluída socialmente por um robô que ela não sabe o nome, mas calcula o quão importante você é, pela quantidade de gente que gosta do que você fala.

Meiga em cada detalhe, a moça parece franzir a testa enquanto tenta tomar uma decisão. Sem idade sequer para decidir entre casar ou comprar uma bicicleta, Berenice não sabe como resolver a solidão que lhe toma.

Anteontem postaram uma foto do enterro dela. Mais de cinco mil compartilhamentos nas redes sociais.