Tinha 35 anos e conseguiu a proeza da solteirice. Ostentando um corpo bem trabalhado, o sorriso largo e um caminhar típico daquele homem leve e sem preocupações além de si, Ribamar era pura alegria.
Nos encontros anuais com os amigos, surgiam aqueles miseráveis barrigudos, carecas, cabelos brancos… Os encontros eram um desfile de horrores, de homens casados e esculachados pela vida. Ribamar achava que sua utilidade se resumia a servir como argumento para aquele monte de mulheres gostosas acharem que seus maridos poderiam ser assim.
Dia desses, num destes encontros, Lurdinha apareceu sem o marido. Morreu? Desquitou? Sumiu. Lurdinha, em prantos, era acolhida pelas MILFs. Enquanto isso, Riba se penalizava da pobre alma, que sequer teve filho. O homem simplesmente escafedeu-se, na mais pura indigência.
Ano novo, e lá estava o grupo reunido. Lurdinha, a única solteira. Ribamar, o único macho disponível. No decorrer óbvio das coisas, se enamoraram. Noivaram. Casaram.
Cinco anos depois, Ribamar caminhava na orla, fugindo da sua própria vida de merda. Pára num quiosque, suspira, olha para a água de côco… E pede uma caipirinha. “Duas!” exclama um homem sorridente que pára ao seu lado.
Ribamar quase não reconhece o homem, que parecia muito familiar, porém mais jovem. Depois de virar o copo duma vez, o desconhecido levanta as mãos pro céu e diz:
“Antes só, que mal acompanhado!”
A voz confirmava a identidade do tal desconhecido, ex marido de Lurdinha, que comemorava a solidão aos berros, feliz da vida, sem preocupações.
Ninguém nunca mais viu Ribamar.