
Hoje você acordou sem mim. Eu sei porque a parede gelada do meu quarto foi a minha companheira dessa noite quente, enquanto você conta os dias sem a minha presença, sem o meu toque, sem o meu cheiro, sem o meu ronco, sem as minhas piadas, sem a minha língua, sem a minha barba que você diz não gostar mas a gente sabe, lá no fundo, que isso me dá um charme e te deixa caidinha.
Hoje você não tomou o café da manhã comigo. Não te ensinei coisas novas, não te puxei de volta pro quarto, não disse no teu ouvido o quanto somos lindos enquanto você passa a manteiga no pão.
Hoje você almoçou sozinha. Disse pro pessoal do trabalho que tinha compromisso, que ia no banco, que isso e aquilo.
Hoje você não foi no cinema. Tava sem saco, tava sem graça, tava sem tempo, tava sem mim.
Hoje você chorou. Nem era culpa minha, nem culpa sua. É que cortar cebola dá nisso e tudo mais. Cebola é sempre complicado, sabe como é. Eu entendo. Eu sempre te entendo. Sempre. No café, no cinema ou na cama.
Mas preferia poder olhar nos teus olhos e te dizer isso. Cheio de lágrimas. Tem problema não.
Amo cebola.