Tarde no museu

Menor que minha canela, o garotinho mascarado entra no recinto, como que explorando uma selva que nenhum humano jamais pisara. Os pais orgulhosos observam o rebento, que acredita ser um herói. Por alguns instantes quase peço salvação a ele.

E o casal de velhinhos? A cena parece batida, um clichê de toda história de amor. Cheguei a pensar que isso não existia mais, que o amor acabou e tal. Mas lá foram os dois. O velhinho que nem aguentava mais andar, pousando a mão esquerda no ombro de sua velha. Fazendo carinho. Olhando o jeito dela de tomar café.

Do meu lado, uma mulher linda com uma criança de uns três aninhos. Esperta, a menina. Estava aprendendo a tirar fotos com o celular. Não demorou pra fazer amizade com uma adolescente do outro lado do salão.

A arte do reencontro. Amigas se abraçam, comemoram a chegada. Largam sorrisos, descarregam alegria.

E a menininha continua vibrante. Brinca com bolas infláveis. Criança tem dessas coisas, né? Tão felizes com um brinquedo novo… Ou com um pedaço de papelão… Ou com o próprio reflexo no espelho.

Vejo passado. Vejo futuro. Um museu de situações. Gente pra todo lado, e cada um com sua própria história.

Mas até agora não sei direito qual é a minha.