Não me perdoe. Amei teu texto, tuas ideias, tuas palavras. Nem pensei na hipótese de você ter um corpo, quanto mais um tão bem entalhado. Jeito de moça, olhar de mulher.
A tarde de verão, a beira da pista. Vento no rosto encoberto por um estiloso óculos escuros. Não pensei em te impressionar, na verdade, apenas expectava a possibilidade de um dia, eventualmente, esbarrar contigo e te conhecer. Reconhecer.
Tímida, não me disse nada. Não me apresentei. Não nos falamos. O sol escaldante tentava explicar que a verdade era fria, e assim foi.
Trocamos olhares? Jamais. Nunca. Me inspirou algum dia? Hoje, quem sabe, talvez…
Mas o teu texto… Ah, o teu texto! Cada letra que você põe na tela me faz transpirar. Entenda, trata-se de um maldito amor intelectual que aprendi a desenvolver com o tempo.
Odeio amar de verdade.