Sensações de um moribundo alheio

A cara gelada não deixa o efeito do álcool ser esquecido. Ele sua frio, sente o chão subir e descer numa dança igualmente medonha e divertida.

O torpor etílico o faz sorrir e ver graça até na sombra disforme do seu corpo projetada no chão quente de um subúrbio qualquer.

Na busca por perdão, já não sabe qual foi o seu pecado, seu algoz, sua motivação, ou qualquer outra coisa que justifique suas anestesias.

Esconde um coração sincero sob camadas de ódio, rancor, indiferença… Até quando ele vai se esconder?

O gosto nojento de bebida e energético apodrecendo na boca fazem Ribamar pensar em vomitar. Apenas líquidos na barriga: e agora?
Na sarjeta, Ribamar se sente em casa.