Comprei aquela torradeira que cabem dois pães num espaço só, sabe? Tive essa ideia quando a gente subiu a serra e fiquei te admirando tomar o café da manhã.
Você, duas torradas, suco de maracujá e uma alegria grandona assim.
Arrumei a casinha de um jeito que cê ia gostar de ver. A poltrona roxa. A torradeira vermelha. Uns quadros na parede cor de cimento. Uma parede verde pra gente rabiscar, igual quadro negro de colégio.
Aí cê ia acordar do meu lado, balançando a cabeça com um leve sorriso apertando os olhos. E eu ia dizer, ia dizer, ia diz… Ia dizer nada. Só te olhar, todo derretido, passando o braço direito embaixo de você te puxando pra cima de mim.
Bons dias.
Cê prepara a omelete e eu preparo o sanduíche de pão torrado. Cê gosta de suco, nunca esqueço. Eu gosto de café, cê nunca esquece.
Aqui dentro toda estação é inverno, né, que é pra ficar agarradinho. E se o sol aparecer, a gente liga o ar condicionado. Tua pele arrepia com o frio. Tua pele arrepia com meu toque.
Mas chega de sonhar.
É primavera.