Da vida boêmia lhe restaram duzentos reais no banco, dores nos pulmões, memórias fúteis e o vazio da existência. Ribamar era um triste.
Cambaleando entre as paredes rabiscadas, ele procura uma agenda de contatos. Não encontra. Se antes fedia a pinga, agora fede a solidão. Remela no olho, cabelho desgrenhado, prato de comida sujo há dois dias no canto do quarto. Ribamar quer vomitar.
Desnecessariamente Ribamar continua existindo. Resistindo. Um velho barbudo sujo, que não sabe mais amar nem ser amado.
Outro dia ele acordou tão triste, que sorriu.