Sobre estar só, Ribamar só pensa em evitar. Mesmo cambaleando entre postes e paralelepípedos, sua caminhada é sempre de um boteco a outro. Nem que seja o cara que serve a pinga, mas tá lá, sempre alguém pra cuidar de suas cãibras.
Pois é, cãibras.
Porque todo bom cachaceiro bebe lá seus copos dágua entre umas doses e outras. E quem bebe pouca água sente cãibra. Quem tá com o corpo bichado também. Ribamar era desses.
Anteontem Ribamar foi deitar no seu papelão bastante tonto – como de costume. Mas dessa vez sentiu uma pontada na perna direita na hora de deitar. Tentando alcançar a perna pra massagear, foi-se a perna esquerda também. Dores. Muitas dores.
Esperneando, ou melhor, batendo os braços de dor, passava-se como um daqueles drogados da boca seca pedindo pedra. Ribamar se contorcia naquele chão de pedras portuguesas da Praça Tiradentes – aquela que tem a estátua de Dom Pedro I.
Sozinho na multidão, Ribamar chora. Já sóbrio de tanta adrenalina, consegue esticar as pernas e se manter calmo por meia hora.
Tempo suficiente pra pedir dinheiro e conseguir outra dose de pinga.