No meu enterro quero que toquem um blues antigo. Mas isso é tão démodé… É que gosto de boa música, e quero que lembrem de mim assim. Como um blues antigo.
Não precisam daquele monte de gente chorando. Ate porque não vou encher nem um copinho de dose de Tequila com as lagrimas de todos reunidas. Isso não significa que quero festa. E acho deselegante alguem sorrir nesse dia.
Discurso! Tem que ter discurso! Mas quero que alguém próximo conte as minhas derrotas. Quando a gente morre parece que vira santo. Todo mundo esquece o quanto somos derrotados, melancólicos, babacas e outros adjetivos. Sim, adjetivos. Porque é um porre conviver com quem se enxerga certinho. O famoso chato. Já fui um desses, acredite, sei do que estou falando.
Não precisa de muito luxo. Se quiserem me cremar, beleza. Mas joguem as cinzas num jarro com uma planta bem bonita. De preferencia uma arvore, pra meus restos servirem de alguma coisa pra uma planta que crianças brincar ao no futuro.
Ah, importante! Quero que, quando eu morrer, leiam algum texto meu. Descobri que uns três ou quatro até gostam das minhas linhas, e provavelmente estarão neste dia com um óculos escuro e roupas estilosas. Pretas, eu espero.
Quando eu morrer não quero que se esqueçam de mim. Nem que sofram também.