Queria fazer a linha do cronista “isentão”. Seria fácil, bastaria não publicar sobre política, religião nem futebol.
Sobre futebol é beleza não se intrometer. Até porque sou tricolor e se eu não gostar do assunto o tapetão tá aí embaixo da mesa – que a gente vira mesmo e que se dane.
Sobre religião também é beleza, pode acreditar. Só respeitar a fé alheia e não fazer piada com o assunto. Principalmente com Alá.
O problema é política.
Como sou nem de direita, nem de esquerda, nem de centro, fico igual cego em tiroteio.
A pessoa da direita fala um negócio que acho interessante mas que, pra mim, tem tudo a ver com a da esquerda também. Aí acho a ideia da pessoa do Centro meio rasa.
É muito ruim ser assim, gente.
Mas política rende clique, né, rende compartilhamento e tal. O problema é que se eu defender o time azulzinho, perco leitor do vermelhinho. E se defender o do vermelhinho, a turma do laranjinha vai parar de me achar cult bacaninha. A turma do verdinho também.
Só que um cronista que não fala de política, convenhamos, não tem colhões. É um zé ruela.
Pode ver os caras que tão na boca do povo, ó: Xico Sá, Gregório, Reinaldo Azevedo… Tenho a sensação que até Miriam Leitão tem andado mais cotada que o Veríssimo.
Por isso acho importante assumir a minha posição.
Cócoras.