Berenice ainda se encantava, depois de anos, com qualquer sorriso. “Me quer bem”, pensava, quando lhe sorriam. Entre promessas e sorrisos, Berê sempre de coração aberto, pronta para receber amor.
Era boa demais – uns diziam. Tola – outros sussurravam.
Entre sorrisos e convites, nenhum encontro de concretizava. Ela com seus vestidinho de renda, todo dia de cabelinho pronto e pernas depiladas. E todo dia seus encontros iam por terra. “Estou cansado”, “surgiu um trabalho”, “vai chover” e tantas outras desculpas jogavam por terra seus passeios.
Ninguém queria Berenice. Nem como plano B.
Foi-se embora a adolescência, veio a vida adulta. E as tristezas dos seus não-encontros contagiaram suas amizades. E ninguém mais podia vê-la. Ninguém mais almoçava com ela – muito menos jantava.
Semana passada encontraram o corpo dela jogado na cama. Trajava um lindo vestido branco. No chão, um pote de sorvete. Vazio.
Berenice morreu sorrindo.