Piranha

“Eu sou piranha mesmo”, ela me disse. Me empolguei. Enquanto ainda processava essa informação, ele emendou com um “e eu fico com quem eu quero”.

Bum! É agora.

Olhei fundo nos olhos. Deixei de lado tudo que aprendi sobre “mulher fácil” ou “mulher difícil”. Eu tava ali, de frente pro paraíso, olhando praquela mulher linda, maravilhosa, que tava deixando claro pra mim o que ela era.

PI-RA-NHA.

E eu tava doido pra mergulhar naquele mar. Ser mordido por ela, ou quem sabe com sorte mordido por mais alguma. Sabe como é, né, o imaginário de quem viveu as madrugadas de sábado nos anos 90 assistindo a Band.

Enquanto ela explicava todo o seu posicionamento, eu não conseguia mais prestar atenção. Pensava em como a minha noite tava ganha. ‘Não é possível que nem uma piranha me queira’, pensei cá com meus botões machistas. Já havia pago duas tequilas e a gente sabe que a terceira, bom, a terceira tequila transforma qualquer Shrek em Thor.

Respirei fundo. Terminei a última dose e pulei pra cima dela e ela, recíproca, pulou também.

Nos abraçamos.

“Como é bom poder conversar com um cara que entende isso e só quer sua amizade”, ela disse.

Sorri e assenti, com um sorriso amarelo disfarçado de bebedeira.

E ela ainda pegou o garçom.