Pior parte

A pior parte não é lembrar das brigas, do ronco, do hálito de manhã, do arroz queimado, da bagunça na pia do banheiro, do armário sem espaço, da lista tão pequena de coisas que incomoda(va)m.

A parte ruim, sem dúvida nenhuma, é lembrar do riso, das piadas internas, dos abraços, das comemorações, dos reveillons, das viagens, dos cafés-da-manhã, dos bilhetinhos, dos códigos, do chamego no ônibus, do chamego no carro, do chamego no quarto, na sala, na cozinha e no banheiro – mesmo com a pia bagunçada.

A pior parte é pensar como seria, é lembrar dos planos, é olhar pra frente, é olhar pro lado, é olhar pra baixo e ficar pra baixo.

Mas pior parte, sinceramente, é saber da lista gigante de coisas que não incomodavam.

Arroz queimado nem é tão ruim assim.