Pinga com mel

Descendo a rua, Ribamar avista um canto escuro e sorridente. Pagode, samba, ou algo assim. Batuque. Ele entra entre sorrisos e pichações pela parede.

Ribamar se perde com tanta alegria e até esquece que por mais uma noite vai dormir na rua, ao relento, numa esquina de pedras. Duas mulheres olham ao mesmo tempo pra ele. Seria sua chance? A loura, espetacular, lhe oferece um gole. A morena vem por trás, já com o beijo na nuca.

Mais um gole.

Ribamar se perde entre pinga e mel. As doses a preço de banana lhe fazem rapidamente encontrar seu estado normal de embriaguez. A dança de tantos corpos com som alto abafa o barulho daquele pagode estranho tocado em terras estranhas. Um sotaque barroco, um jeito respeitoso de fazer bagunça. Ribamar se sente seguro.

Saindo do bar, Ribamar sobe a rua com a morena e a loura. Seria sua chance? Embriagado, comete o sincericídio de ser um bom rapaz. E ao invés de alguma sedução, Ribamar mostra todo seu lado bom.

Acordou sem carteira, sem dignidade, sem fazer um bom trabalho.

Vida com gosto de fel.