Pele branquinha, corpo franzino, rosto angelical. O jeito de boneca que Berenice tinha era uma verdadeira sabotagem: os rapazes de sua idade eram desinteressantes, os mais velhos julgavam-na mais nova.

Lhe restava apenas a solidão.

Até namorou uma vez. De tão acostumada com sua própria companhia, reforçada pela beleza singular, foi questão de tempo para o fim do romance. Berenice era linda, meiga e independente. Não que isso fosse um problema, mas as frágeis relações humanas dependem de alguma necessidade. E a única que ela tinha era de existir, de ser feliz, de fazer a diferença. Berê não queria passar em branco na Terra.

Dia desses foi numa festa. Os já cansativos olhares lascivos dos rapazes deram lugar ao desprezo. A música alta não serviu como desculpas para conversas de pé de ouvido. Algo diferente aconteceu. Duas horas de festa depois, foi feliz e saltitante pra casa, livre como nunca.

Ela engordou.