Nasci no ano do Cometa Halley, não espere de mim as formalidades da vida adulta, nem as brincadeiras de uma criança. Nasci numa geração que veio ao mundo para ser eterna, ou ao menos ter 80 anos de viagens mágicas pelo universo.
Consegue imaginar o que é assistir a virada de um século com os olhos de um adolescente? Só quem viveu isso com o brilho no olhar e vontade de mudar o mundo sabe o que tô falando.
Psicodelicamente falando, faz muito sentido que eu não faça sentido algum para tudo se encaixar.
86. Nasci tarde demais pra ver o auge do Lobão, cedo demais pra guardar as vitórias do Senna na memória. Ainda bem que minha geração inventou o Youtube, e os coroas guardaram seus cassetes.
Sou da geração de transição. Um bon vivant até na contagem dos séculos, de uma geração que entende a criançada que descobrirá a cura do câncer. E da AIDS. E aí quem sabe não perderemos mais Cazuzas e Fred Mercurys…
Pois é. Não se faz mais Cazuza como no meu tempo.
Ou melhor, no tempo de uma geração antes da minha…