O próximo romance de Berenice

Mais nenhum livro saciava aquela sede toda de boas histórias. Uma biblioteca gigante, capaz de afogar Berenice entre aventuras, comédias, ação, ficção científica e tudo mais. Só que ela queria mesmo um romance. Não um daqueles narrados por escritores, mas um vivido pela sua própria pele branquinha.

De pé, observando aquele paredão de livros, Berê suspira. Passa gente, passa tempo, passarinho na janela e nada de escolher sua própria história. O que cê quer não tá nas prateleiras, menina – tá lá fora, talvez comprando uma maçã, talvez um jornal, talvez só falando pela cidade assobiando um samba antigo.

Ela ouve sua voz interior.

Quando alcança a porta, seguindo seus conselhos do além, esbarra numa pilha de livros próximos ao caixa. Barulhão. Um rapaz a ajuda a cantar os livros do chão. Ela então encontra seu novo amor, seu novo romance. Um best seller recém saído, na promoção ainda por cima.

Mal sabia ela que sei próximo romance poderia mesmo ser aquela pessoa desajeitada ali agachada dando uma força pra arrumar a bagunça.