O problema não é você, nem eu

É que fui pra cama pensando na vida, sabe, nessas trivialidades que a gente chama de “amor”. Vê se pode. Senti uma cãibra no pé direito e você não tava aqui do meu lado pra ajudar. Foi dureza. É dureza.

O problema é que a gente resolve um dia ficar sozinho mas aí bum! Explode um troço no coração e a gente fica meio bobo, fica rindo e fica tipo a Catherine Deneuve vivendo um amor jovem num filme francês exibido naquelas películas que fazem o barulho de um motorzinho no fundo da sala.

É que vi um filme lindo, sabe, e o Bogart abria um bar em Marrocos pra esquecer de uma gata. Vê se pode. “Play It again Sam”, ele diz, e eu saio pela casa à procura de um bom whisky pra me fazer companhia. Foi dureza. É dureza.

O problema é que o Bogart, ou melhor, o Rick, não consegue se livrar dos melhores momentos da sua vida. Bum! Ingrid Bergman aparece. Aquela linda história de amor do passado está ali. Latente. Flamejante.

É que não sou Tiago Iorc mas eu amei te ver. Não quero ser o Rick. Não sou o Bogart. Mas morro de medo do final desse filme.

“We’ll always have Paris”.