Esses dias atrás rolou uma feijoada no novo espaço do Enraizados. Mais ou menos umas 70 pessoas estiveram presentes e o que mais me chamou atenção foi o clima de família presente na casa. Quando digo família, me refiro ao sentido mais literal possível da palavra. Ver o Dudu segurando a emoção ao dizer para as pessoas que sua mãe e suas tias estavam ali, que sua filha estava fotografando tudo, que sua esposa e seu bebê que está a caminho estavam ali… Putz, fiquei com os olhos cheios de lágrimas.
Lembro da antiga sede. Havia um pequeno palco, um grande espaço, uma biblioteca, um montão de computadores, um estúdio… Toda a estrutura necessária pra fazer um barulhão. Qualquer ideia saía facilmente do papel, afinal já estava tudo lá, pronto pra ser usado. No entanto, há um tempo atrás as coisas mudaram e o Enraizados ficou sem aquele espaço maneirão em Morro Agudo. E agora?
A era “sem teto” do Morro Agudo forçou Dudu e seus aliados a irem além. No momento em que qualquer um daria passos pra trás, DMA deu tantos passos pra frente, que foi parar em Miami com o Marcão e com o Léo. Um dos projetos mais lindos da história do Enraizados saiu do papel: o Caleidoscópio. Esse aí eu tenho um carinho especial, afinal Dudu me convidou pra fazer a direção de arte da parada. Estão usando a marquinha que eu fiz até hoje, ó que orgulho!
Além dos grandes projetos o Enraizados passou a ocupar novos espaços. A sede do Enraizados se tornou a cidade inteira de Nova Iguaçu. Uma série de eventos no Boteco da Juliana, a circulação dos artistas ligados ao movimento, o Caleidoloucos, o RapLab que ganhou residência na Pavuna e tantas outras ações provaram que o Movimento Enraizados se tornou uma base para a produção cultural independente na Baixada Fluminense.
A melhor parte agora é pensar no futuro. Se antes as coisas iam bem, agora após tantas novas experiências e uma nova leva de artistas e aliados, o Enraizados tem todas as condições do mundo para transformar essa nova sede em algo ainda mais potente. Dá pra esperar cursos, oficinas, palestras, shows, festas, encontros…
Putz, não tem como não falar sobre a nova leva de gente. A foto acima foi clicada pela Bia, filha do Dudu, que está se dedicando como fotógrafa e DJ. Tem mais uma galera enorme, como o grupo Dinastia, que nasceu através das oficinas de rap. Escritores da cidade passaram a olhar mais e se envolver com o Enraizados. Três dos cinco artistas residentes do Sarau do Vulcão foram formados pelo Enraizados, mostrando que o Movimento tem uma entrega forte para a economia criativa da Baixada Fluminense.
Economia criativa. Baixada Fluminense. Duas palavras tão distantes quanto políticos e cadeia, mas que ultimamente têm andado juntas.
Minha única dúvida é se o novo espaço será suficiente. O Enraizados tem ciclos de crescimento cada vez maiores e desconfio que essa nova sede, apesar de ser numa área bastante espaçosa, não vai comportar a quantidade de projetos que o Instituto tem. Mas tudo bem.
A sede do Enraizados é toda a cidade de Nova Iguaçu.