O fedor de esperma tomando conta do quarto desarrumado era a declaração da vida nojenta que Ribamar levava, navegando num mar de sacanagem solta pela sua mente pervertida.
Tinha um andar inquieto, jeitão de poucos amigos. Riba passava a maior parte do tempo confinado, fazendo sabe-se lá o quê. Era calado, inquieto, punheteiro e mal vestido.
O futuro na sarjeta após a morte dos pais era já devidamente anunciado pelo jeito caótico e autodestrutivo desse sacana, que não queria saber de muita coisa além da pornografia e pizzas esquentadas em microondas. Daí era um pulo para mergulhar na cachaça, ou drogas ainda piores.
Dia desses Ribamar saiu de casa para comprar amendoim. Conheceu uma menina, que pedia informações sobre os snacks que combinavam com um vinho que por um acaso ele pesquisou uma semana antes, por ser o favorito de sua atriz pornô predileta. Depois da informação, o sorriso. Daí a troca de emails.
1.890 mensagens pelo Facebook depois, Ribamar arranjou emprego, penteou o cabelo e se viu em um relacionamento sério.
Hoje ele é contador e pensa em ter um filho.