O amor e a defensiva

Mas a gente fica na defensiva, né. O tal grande amor da vida inteira toca o interfone, bate na porta, faz um estardalhaço e a gente acha que é drama, que é palhaçada, que é alguma frase pronta de internet.

A gente perdeu o brilho.

Corações que de tanto apanhar, desistiram de bater. Amores passados que estragam o presente que o futuro nos reservou – e cancelou a reserva quando viu que a gente não deu sinal, não depositou a primeira parcela, não atendeu o interfone, não respondeu o whatsapp, não teve paciência e etecétera etecétera etecétera.

Bom mesmo era ser adolescente. Amar os primeiros amores como se fossem os últimos. Escrever cartinha. Fazer cartão tosco com corações. Frase de algum porta morto.

A gente prefere ficar só. E toma-lhe economia no dia 12 de junho, toma-lhe doenças estranhas no carnaval, toma-lhe rivotril. Bebida. Droga sintética. Droga natural. Cerveja choca.

Depois a gente reclama que falta amor no mundo, né.

Falta sim.

Sei.