O amador da vida inteira

(01/12/2012)

Faltava-lhe a tal da inspiração. Ele tinha tudo, podia qualquer coisa. Habilidoso no palavriado e mestre no que diz respeito a pele. Sim, pele…

Sabia como poucos compreender a alma feminina. Capaz de fazer sorrir, corar e principalmente transpirar. Um cavalheiro. Alma leve, algum dinheiro no bolso. Apreciava o sol, as cores, sons que essa vida emite.

Só lhe faltava o amor. Viveu anos em reclusão, tendo o corpo livre e coração amargurado. Amargura… Gosto ruim que ele sabia bem como era. Mergulhado em solidão, aproveitava sua situação para apreciar as pequenas coisas.

Teve que descobrir o amor de outras formas. Vivendo, saboreando, rindo, observando… E descobriu que o amor independe de companhia, só precisa de um coração.

Viver bem: degustando cada instante com amor.

E assim viveu até o final da sua vida: amando muito mesmo sem ter uma amada. Apaixonado sem ter uma paixão.

Na sua lápide deixou as palavras:

“Se amar é tão bom, imagina só como é ser amado!”.