Montei meu primeiro setlist musical, ou pelo menos o primeiro a ser executado fora do meu player pessoal. Esse set vai tocar na abertura do lançamento do livro “Minha casa é minha mochila”, do Marcos Lamoreux.

A ideia era fazer um bebop e acid jazz. Mas pensei mais na social do que na música. Espero não ter errado na sequência e nas escolhas de cada música. Tem um toque pessoal pesadão, mas sem quebrar o pique sequencial.

Abaixo as músicas comentadas, e a razão de escolher cada uma delas:

Miles Davis – So What
Um mega clássico do jazz que abriu meus ouvidos pro cool jazz, apesar de ser um modal jazz. So What faz parte do eterno “Kind of Blue”, um disco extremamente necessário para qualquer ouvinte de jazz.

John Coltrane – Summertime
Simplesmente a canção que me fez começar, de fato, a ouvir jazz. Summertime é um bebop louco de Coltrane, que já teve várias versões. Foi a primeira música que fui capaz de reconhecer. Meu primeiro contato com ela foi numa viagem a Penedo: no restaurante, um dos pratos levava esse nome, acho que era um picadinho de carne.

Chet Baker – That Old Feeling
Precisava muito encaixar Chet Baker no primeiro setlist. Ele embarcou grandes momentos intimistas, e sua voz me emociona até hoje. “That old Feeling” tem um ritmo menos triste que tantas outras, mas a letra é triste demais, pois fala da inutilidade de recomeçar a amar, uma vez que ele tem ‘aquele sentimento antigo’.

Louis Armstrong – Jeepers Creepers
O negão mais animado do oeste, haha! Essa música parece, pra mim, uma brincadeira. É como se Louis estivesse sacaneando alguém.

Nikki Yanofsky – Jeepers Creepers 2.0
Essa versão de Jeepers Creepers, logo na sequência, mostra que dá pra fazer novas versões e mantê-las criativas e divertidas. É hora do pessoal dar uma saculejada no esqueleto, porque o evento vai começar daqui a pouco…

Etta James – Something’s Got A Hold On Me – Single Version
A gloriosa Etta me rendeu altas viagens interiores. Essa canção foi remixada há um tempo, mas acho essa versão original incrível, e mantém a turma animada.

Amy Winehouse – The Girl From Ipanema
Queria fechar com Amy Winehouse, uma das últimas chamas criativas do jazz na minha opinião. Mas ao mesmo tempo queria sair do convencional dela, encontrar algo diferente. Surgiu essa bossa, considerada o jazz brasileiro. E é uma versão meio rebeldezinha, tem uma batida bacana pra não quebrar o ritmo animadinho da galera, que a essa hora estará excitada em começar o lançamento do livro e provavelmente estará conversando mais alto.

Horace Silver – Song For My Father (Rudy Van Gelder Edition) [1999 – Remastered]

Essa é um bônus track, e provavelmente não vai tocar. Eu queria manter alguma coisa meio bossa, mas sem ser muito bossa e voltar a flertar com o bebop. Daí esbarrei, nas minhas pesquisas, com Horace Silver. Amor à primeira vista. Essa música foi feita pro pai dele, depois de uma viagem de Horace ao Brasil.