Luz. Ribamar encara uma cor branca, eventualmente amarela, meio que mexendo-se. Está deitado. Só consegue ver aquele borrão à sua frente, perplexo com sua própria existência.
Riba sorri.
Devidamente bêbado, como de costume, os restos de comida não são suficientes para recobrar a sobriedade. Não faz ideia de onde vai chegar com a tal luz, só sabe que, de alguma maneira, ela significa alguma coisa.
Dez longos segundos passados em câmera lenta são suficientes para perceber que teve um dejavu – não de passado, mas sim de um futuro próximo.
Seria o verdadeiro amor? Seria um sinal de vida descendo dos céus? Seria um anjo vindo lhe abençoar após tantos momentos solitários e tristes numa cidade grande à procura de algum afeto? Seria um vaga-lume que só alumia sem vagar?
O lanterninha do cinema não sabia como abordar aquela pessoa deitada em três cadeiras.