
Sentada na beira da cama, Berenice tenta inutilmente secar as lágrimas que não param de descer de seus olhos já inchados de tanto chorar. É noite e todos dormem.
O cobertor bordado com rendas, branquinho como sua pele frágil e cabelinho ruivo combina com as paredes claras, que disfarçam sua cor na escuridão do quarto frio. Tapete bonito, aquele ali no chão – parece até veludo.
Entre soluços e mãos cobrindo o rosto, Berê só chora. Se entrega à tristeza profunda de uma moça tão cheia de sonhos e lotada de decepções. Sonha ser feliz. Conta seus segredos pro urso de pelúcia, que a observa sem entender nada. Por que tanta dor, Berê? Quem fez isso contigo?
“Ninguém me entende”.
Sem ninguém pra conversar, a menina tenta inutilmente controlar seu surto. Só repete, entre um soluço e outro, a frase mais repetida por mocinhas tristes em toda a história da terra. Ela só quer o abraço carinhoso de alguém que não pretende entender suas lágrimas, não planeja nada além de fazer-lhe companhia.
O urso continua estático, aguardando pacientemente ser abraçado. Age como um verdadeiro amigo deve agir na hora da tristeza.