Ô minha frô,
cordei cinco e pouca da manhã, abri a porta da cozinha mas deixei a do quarto fechada, escurinho que só, procê dormir igual princesa.
Proveitei pra fazer café, a casa perfumada com o cheirinho da manhã. As prantinha ainda tão molhada do orvalho. E cê ronronando igual uma gatinha. Olho pro céu, agradeço por ter essa bênça ali deitadinha pra eu poder cuidar.
Ontem o moço passou vendendo pão de milho. Peguei um, escondi pra te fazer surpresa. Tem geleia de framboesa. Tem manteiga, queijinho e o café tá pronto.
Te acordo com a musiquinha que compus pensando nocê, assobiando enquanto conversava com as prantinha fazendo hora pra cê terminar de dormir.
E esse sorrisão que abre junto dos seus olhinhos, ô, deixo até cair uma lágrima de amô. Eu queria ser bonito, forte, mas só sei te olhar e fazer comida procê ficar com a bochecha coradinha. Não é justo cê sair da casa da sua família pra viver com esse bruto aqui e não ganhar pelo menos uns cafuné, atenção e comidinha.
Ô muié, cê é linda dimais. E eu aqui todo feioso conversando com pranta. Mas tá tudo certo.
Tem pobrema não.
Tudo certo como um mais um é igual a nós.