Sem celular, sem nenhuma forma de ser rastreado, Ribamar se perguntava sobre as sensações de enviar mensagem ao seu amor e esperar uma resposta. Sentado na beira da rua, só tinha acesso ao sol, a roupas fedidas e a um copo sujo de cachaça da noite anterior.
Aquela manhã não fazia questão nenhuma de esconder suas dores e escancarar o desespero de existir. Ribamar só pensa no copo vazio, agora sujo apenas com a saliva espessa que não serve nem pra esquentar a alma. Sem pinga, sem banho e sem celular, Ribamar já não sorri. Parece ser uma lágrima ali no olho direito, é verdade, mas é só remela.
Ele pergunta as horas pra todo mundo. Mas o troco é apenas “não tenho”, “não quero” e outras. Aquela metrópole de gente achando que todo pedido desesperado de afeto fosse pedido de dinheiro, mas que nada: Profeta Gentileza até pensa em voltar mas sabe que não tem mais jeito. E se fosse pra voltar, que voltasse pra salvar Ribamar e seus colegas de copo, ansiosos por uma vida que fizesse algum sentido.
Sem coragem pra viver, sem covardia pra morrer, Ribamar suplica pra saber as horas. Ele sequer pede cachaça, só quer ter um registro do tempo.
São três e meia da manhã na Central.
Ainda assim ele continua vendo a luz. É a morte? É uma lanterna? Será a visão indo embora?
Maldito blackout.