Era uma sombra. Seus antigos companheiros o reconheciam, uns acenavam, um ou dois apertavam sua mão, mas na maioria das vezes só trocavam olhares de longe.
Ribamar caminha entre os bons que fazem parte dos velhos tempos. Apenas caminha. Com a vista turva, percebe não fazer mais parte daquele ambiente feliz, de gente boa que só quer ter alguém pra conversar.
Enquanto dançam felizes, pulam e gritam, Riba observa. E a dança frenética das pessoas se passa em câmera lenta sob o seu olhar pequenininho, apertado por alguma razão desconhecida porém que já o acompanha faz tempo. Ele olha. Observa.
Nenhum sorriso faz seu olho brilhar. Nenhuma palavra faz sua alma estremecer. Ribamar quer um amor. Só encontra a superficialidade dos primeiros encontros, dos esbarrões, dois “oi fulano” com sorrisos excessivamente largos, daqueles abraços mal ensaiados sem fungada no cangote.
Pra fazê-lo sair da inércia, até as mais belas damas lançam olhares tímidos, típicos da paquera docemente adolescente. Mas ele é seco. Amargo.
Ele não quer mergulhar. Ele quer se afogar.
Afogar?
Ele pede mais uma dose.