Descobri que sou uma farsa na arte de ser eu mesmo. Deveria ser a tarefa mais simples e original de todas, mas o tempo, as referências, as inspirações e pior ainda, as aspirações complicaram demais o que deveria ser a coisa mais natural da minha vida. Explico.
Vejo o meu brilho nos olhos em um montão de gente. E quando finalmente pinta aquela grande ideia, descubro que alguém genial teve essa ideia antes. Óbvio, como bom curioso, lá vou eu descobrir quem é fulano. E aí que fulano é isso, isso e isso. Envolve as pessoas assim e assim. Seu discurso é alinhado e explica com detalhes, usando frases que eu até consigo completar antes de serem ditas – não porque são ruins, nem porque sou gênio. É que pra minha tristeza, aquele fulano sou eu, só que bem-sucedido.
Não bastasse a falta de originalidade nas idéias inéditas, ainda tenho que conviver com meus gostos. Levo uma vida pra descobrir o que gosto e não gosto. Um esforço danado pra ser eu mesmo sem amarras. Até que um dia descubro um Ciclano qualquer, que além de gostar de tudo que gosto, ainda é infinitamente melhor de papo que eu.
Dá uma baita duma raiva me olhar no espelho e perceber que sou tão bem sucedido – numa vida que não é a minha.
Por essas e outras é que canso de ser eu. Só que como eu não sou eu, logo, não ser eu mesmo é ser eu. Sacou?