Coragem pra (se) apagar

Falta coragem.

A gente gosta de pessoas que abrem o coração, entregam suas dores e não têm medo de mostrar seu lado mais triste.

Mas às vezes digito ‘textos cruéis demais’ e apago.

Porque falta coragem de abrir de verdade o coração e compartilhar com as pessoas alguns sentimentos tão sérios e importantes, que a gente vive pra combatê-los ao invés de abraçá-los e tratar com carinho.

Aí chega o amarelo de setembro.

Com tanta gente falando da prevenção ao suicídio, dá uma certa coragem de falar de tristeza, procurar ajuda, sei lá, abrir o coração. Quem sabe digitar um textão no Facebook na esperança de encontrar alguém de coração aberto.

Mas falta coragem.

Tem dias que falta tanta coragem, que não consigo nem pensar em ligar pro 141. Buscar apoio. Afeto.

A busca pela felicidade é cruel.

A gente corre em círculos, acreditando em coisas que um sistema doente quer nos convencer de serem as ideias. E os conselhos são sempre carregados de julgamentos, são sempre acompanhados de palavras duras incentivando a gente a buscar tudo aquilo que a gente não quer.

São muitas angústias.

Fico pensando em quantas pessoas estão por aí, agoniadas, querendo só trocar uma ideia boa na sombra de uma árvore tomando um suco de fruta. Tanta gente que não quer a felicidade de plástico acompanhada de conquistas superficiais.

Eu sei que a vida real é isso aí. É a busca pelo dinheiro, pela família, pelos bens, pelas viagens… As realizações profissionais, audiência, reconhecimento, ‘lifestyle’, enfim, essas coisas.

Coisas que vão embora quando eu morrer e for esquecido. Conquistas que vão sumir junto da minha existência. Tem dias que só quero isso mesmo, ser esquecido e passar em branco.

Mas é que às vezes digito textos cruéis demais pra serem apagados.

– – –

Siga no Instagram: @wesleybrasil

Setembro amarelo, prevenção ao suicídio:
CVV-Centro de Valorização da Vida | Ligue 141.