Te conheci tomando café, de pijama, numa ressaca danada. Eu tomando café, você vestindo pijama, os dois de ressaca.
Danada.
Pra te ser bem sincero eu não te reparei logo que você entrou na cafeteria. Mesmo te achando linda, confesso, meus olhos correram por você no caminho entre a porta e o balcão dos cookies. Eu tava encantado com aquela variedade. Tinha uns tais de muffins, tinha pão-de-queijo e diante daquela orgia gastronômica, a última coisa que eu imaginei na minha vida seria conhecer você.
Aquela coisinha desastrada se espreguiçando e consequentemente me dando um tabefe na nuca jamais passaria em branco na minha vida. Esbarrei na xícara e derramei meu café. Você não tinha um cruzeiro no bolso pra me pagar outro e lá fui eu, derrotado, pedir um espresso. “Dois”, você exclama pra atendente, por cima dos meus ombros e dando um sorriso cara-de-pau pra mim e pra ela.
Dois então.
Ainda tentei me livrar daquela pessoa destrambelhada vestindo pijama no centro da cidade, mas lá veio você sentando comigo. Eu era paz, você o caos. Eu era o método, você o improviso. Eu era Yang, você Yin. Eu era só, você também.
Três cafés depois, a gente até que sorria. Cê tinha um rabisco na ponta do nariz. Tentei limpar, cê deixou. Chegou perto. Senti sua respiração. Do momento que percebi o rabisco até nosso primeiro beijo, foram três segundos de comprimento e minhas bochechas coradas de distância. As suas também.
É que você passou a manhã inteira desenhando, criando seu primeiro quadro, tava doida por café e parou ali mesmo. E eu passei a manhã inteira escrevendo, criando meu primeiro livro e tava doido por paz – ali mesmo.
Cê saiu correndo depois de me roubar um beijo, cinco cafés e um cookie de baunilha.
Desse pequeno amor só restou uma grande lembrança.
E a conta. Claro.