Conheci Berenice numa tarde de sexta-feira, no por do sol confuso, típico de um final de janeiro, daqueles com sol e chuva.
O clima sofisticado dos meus gostos contrastavam com o clima de carnaval, que invadia as ruas cariocas. Gente sorridente para todo lado.
E lá estava Berê com sua pele branca e o cabelinho ruivo, solitária numa cadeira do Odeon. Seus grandes óculos escondiam o rostinho pálido e frágil da moça. Filme romântico no telão, as luzes se apagam.
Berenice se desfaz em lágrimas, pensa sua vidinha de moça dedicada aos estudos, família e bons modos. Gente inebriada do lado de fora, e Berê está lá: sozinha, deitada na cadeira do cinema, pensando sua vida.
Enquanto tem gente lá fora planejando viagem, a mocinha se contorce com a ideia de virar gente grande.
Berê viveu a vida toda com esse incômodo.