Berenice perdeu seu tempo.
Não, não foi um daqueles relacionamentos com amor de mão única. Nem das tentativas pra abrir pote de maionese que antecedem aquela que usamos menos força. Até porque não é força.
É jeito.
Berê perdeu seu tempo e não sei onde deixou. Onde esqueceu. Onde guardou. O tempo dela tá lá, em algum lugar desse mundão e ela não consegue encontrar. E o tal do tempo tá passando – sabe-se lá onde ou quando.
Quando moça, queria ser adulta. Agora virando adulta, Berê só quer ser moça. E é maquiagem pra cá, roupa nova pra lá. Mas aquela ruga ali esfrega na cara que o tempo não pára – ao contrário do Cazuza, cujo tempo ficou bem guardadinho na virada dos anos 80 pros 90. E-ter-ni-za-do.
Anteontem Berenice fitava-se no espelho. Olho no olho. Primeira lágrima, segunda… Com o rostinho vermelho e maquiagem borrada, Berê entende onde poderia ter guardado seu tempo. Esqueceu com alguém. E esse alguém já não importa. Que fique lá com o tempo dela. Que seja feliz, até, se possível.
Berê preferiu ficar com o espelho.