O celular já não toca. Entre amigos por interesse, só resta o desinteresse. Ribamar amanhece numa sarjeta qualquer, incomodado com os raios de sol queimando a testa e o barulho de moscas ao seu redor.
São sete e poucas da manhã e ele fede a pinga dá noite passada. Ribamar não sabe como conseguiu bebida, como conseguiu dormir, como consegue ainda viver… Ele só sabe que está ali, deitado na rua apoiado no meio-fio. Se chovesse morreria afogado naquela poça d’água que se forma na lateral da rua.
Sai daí, Ribamar. Esse lugar não é tão quente quanto o cobertor velho que você esconde embaixo do banco no ponto de ônibus. Uma barata passa sobre sua perna. Ele apenas observa, enquanto ela faz cócegas entre seus dedos. Nojo? Não. Ela é nesse momento o que ele tem de mais próximo duma amizade. Ribamar sorri.
Jogado num canto, sem ninguém pra olhar por ele e acompanhado de insetos, Ribamar ainda está mais feliz que muita gente.