“Aisha”

Você, eu e John Coltrane. Tá tocando ‘Aisha’ enquanto brinco com seus cabelos. Você descansa no meu peito curtindo o curto raio de sol que pousa no seu braço. Já é de manhã e nem vimos o tempo passar.

Nossa fortaleza é feita de almofadas. Descansamos no chão com um sorriso tão bobo que não faz sentido nem pra gente. Ou de repente faz. Cê voltou de uma viagem longa, três meses fora da nossa casinha, e eu dediquei todo esse tempo pra encontrar a canção perfeita. Aisha. Podia ser até o nome da nossa filha, né.

O pianista faz seu melhor na música e eu começo a pensar no chá de camomila que deixei na mesa. Quero levantar não. Só quero sentir teu cheiro mais um pouco e sorrir feito bobo com os olhos fechados. O sol vai chegando. E por mais que a noite tenha sido linda, o que importa mesmo é o agora: tua perna arrepiada, o edredom do lado direito e a poltrona atrás de nós servindo pra gente se apoiar.

Feito bobos.

Engraçado como são as coisas, né. Cê me dá só um olhar e já sinto vontade de viver, de engolir os planetas feito o Galactus das histórias em quadrinhos. Me sinto tão vivo que quero escrever um poema, fazer o almoço, fazer a barba…

São sete e meia da manhã e o meu mundo se resume, nesse instante, ao teu abraço. Há quem diga que tô errado. Nem ligo.

Só preciso que nosso momento nunca acabe.

(Pra entender o sentimento, clique aqui pra ouvir a música)