Água, comida e abrigo

Acredito cegamente que a vida trata-se de uma grande jornada cujo primeiro capítulo é o nascimento e o último, bem, é a morte. O que realmente importa não é como a história começa, mas sim como ela termina. Quais aventuras você encarou até chegar esse tal grande dia. Mas não vim aqui celebrar a morte, pelo contrário, quero mesmo celebrar a vida. Afinal, a melhor parte de um livro não é como termina, mas como ele é contado.

Se seguimos numa jornada louca com final previsível, é importante que ela valha à pena. No meio do caminho a gente acumula tanta carga que às vezes fica difícil seguir em frente. Essa jornada é um caminho sem volta, então nem adianta a gente pensar na hipótese de virar pra página anterior e reescrever.

A vida não tem ctrl+z.

Tenho a sensação que cada trabalho, cada relacionamento, cada troca que temos com outras pessoas pode se tornar uma carga nova pra gente carregar. Às vezes essas cargas são leves e em outras são essenciais. Mas depois de apenas três décadas de jornada, comecei a desconfiar que a grande maioria da carga que a gente carrega é desnecessária. É puro refugo, mas a gente insiste em ver valor onde não tem.

Talvez você, leitor, fique se perguntando sobre “propósito”. De fato, acredito sim que a vida tem um propósito – mas essa crença é pessoal e pouco transferível. Não dá pra gente debater muito a respeito disso e chegar em, digamos, um “propósito” comum para todos os humanos.

O que dá pra entender é que alguns encontram seu propósito e tornam a jornada mais interessante, focada num legado. Essas pessoas, quando suas histórias terminam, ganham muitas continuações através de algumas ou muitas histórias. Einstein deixou seu legado. Gandhi. Jesus. E você? E eu?

De volta ao lance de carregar muito peso, durante um ano sabático que tirei, concluí que não precisamos de muita coisa além de água, comida e abrigo. Tudo além disso é, de alguma maneira, excesso de bagagem. Não, não sou ateu – estou longe disso, inclusive.

Uma vez o sábio Rei Salomão disse que “tudo é vaidade e um esforço para alcançar o vento”. Hoje, refletindo sobre esse montão de cargas que deixei pelo caminho, entendo melhor as palavras do filho de Davi. Todo mundo tem seus excessos de carga que ficaram no caminho, vamos ser honestos por aqui.

Será que você vai ter coragem de diminuir o peso pra seguir viagem?