
A gente não se via há meses. Por causa da distância física, por causa da agenda que não se cruzava, ou talvez porque a última vez que nos vimos não teve sorriso nem abraço.
Estávamos brigados.
Nunca descobri o motivo, nunca descobri o que fiz. Só sei que a gente tava brigado e não podia mais se falar, já que esse é o protocolo entre pessoas que estão brigadas.
Meses depois, o encontro. Avistei de longe aquela pessoa que vivi tantos momentos incríveis. E me lembrei de tantos risos, tantas gargalhadas e até trambicagens, veja só, que praticamos juntos. As confidências. As lágrimas. As coisas que amávamos em comum e principalmente as que detestávamos em comum.
Os tantos abraços.
Naquele instante só conseguia pensar que tudo que vivemos de bom era muito maior que qualquer momento ruim. E que por mais que um de nós tivesse magoado o outro, puxa, um alegrou o outro tantas outras vezes.
E na balança da vida, aquele instante pesou pro lado do abraço. Do aconchego. Do “está tudo bem” não dito, mas sentido.
Nos abraçamos. Meio que choramos.
Até hoje não sei o que fiz para termos ficado tanto tempo sem nos abraçarmos. Mas, sinceramente, só em lembrar do quentinho no coração daquele instante mágico, já não sei se vale a pena saber onde errei.
Só sei que acertamos em escolher o abraço como forma de diálogo.
(Foto: Reuters)