O pão amassado debaixo do braço, aliado aos passos trocados no meio da rua, denunciavam a embriaguez de Ribamar. A pergunta era uma só: cachaça? Água. Fazia um mês que ele não botava uma pinga na boca, mas mesmo assim parecia que o chão girava.
Naquela noite, acompanhado apenas de uns pães, Ribamar caminhava tentando achar o caminho de casa, ou de pelo menos algum lugar que parecesse um lar. Noite fria. Ansiava por um gole de café e um punhado de amor. Só encontrava a solidão da metrópole e a tontura companheira.
Dor na nuca. Sem cheiro de bebida, caminhava o bêbado, de raspão entre os carros que apenas buzinavam. Sai da rua, homem! Sai do caminho, seu infeliz! Pára de beber, cachaceiro!
Entre gritos, carros, cheiro de pão e tudo mais, Ribamar caiu para nunca mais levantar. Foi o ataque cardíaco mais solitário que a rua direita viu.
Ou melhor, não viu.