A três, com sono e algo mais

O bafo de chachaça me explica que estou de ressaca. Acordo no meio de dois corpos apetitosos nitidamente fatigados. São corpos de mulher.

Verifico que ambas respiram: menos um problema, não matei ninguém.
As duas de cabelo escuro, pele macia, com seus sexos à vista, cobertas apenas por um pedaço de pano envolvido nos pés.

Gosto de tocar na pele de cada uma, e me apsrcebo estar inebriado, não apenas etilicamente falando, mas emocionalmente.

Ainda sinto o torpor da noite passada. O que fizemos? Será que fui homem pra possuir estas duas deliciosas carnes?

Vou retomando os sentidos, e meu tato parece mais aguçado. Deslizo a mão direita no corpo daquela que parece dois anos mais velha. Menos bonita, porém muito mais atraente. Me excito às 10h da manhã como im animal no período de acasalamento. Quero lamber cada pedaço dela, à medida que a ressaca me domina.

Bebemos.

Confesso que arranco um beijo na boca de cada uma. Dorem e me beijam, mal sabem. No quarto arrumado desse motel, nenhuma memória, mas muitas histórias.

Enquanto procuro minhas calças, elas acordam ao mesmo tempo. Sorriem pra mim.

Olham uma para outra.

– Você?
– Nua?
– O que..?

São irmãs. Uma é pura ninfeta, a outra é para casar.

Me olham. Sem memória, me olham à procura de respostas. Eu ligo pra portaria.

– Senhor, o casal que saiu primeiro deixou a conta.
– Conta? Casal?

Procuro minha carteira. Elas procuram as delas.

Na TV, uma reportagem sobre o casal do boa noite cinderela.