A moça da lágrima seca

Não lhe cabe a deselegância do choro, nem o consolo do travesseiro. Berenice se contorce na cama, duvidosa entre o grito ou o silêncio.

Seu corpo já não é o de menina moça, e os sonhos não são tão puros. Nada é puro, principalmente a vida, que se tornou sua maior adversária. Berenice olha em volta no quarto bagunçado, ainda em dúvida se deve gritar ou calar. Soluços secos insistem em atrapalhar os pensamentos, misturados entre a dor e a forma de sentir dor.

O ventilador de teto gira lentamente, mas é o vento de primavera que entreabre as cortinas. O Sol é tímido, não vai entrar. Na rua, o dia. No quarto, a escuridão. Seria uma tarde qualquer, não fosse a onda de tristeza que afogou seu coração.

Ainda em dúvida sobre gritar ou calar-se, Berenice continua soluçando e deixa escapar uma lágrima. Por que choras, pequena? Amanhã é outro dia.

Amar dói. Não amar dói mais.