“Em 64, o povo todo parou. E aí os militares assumiram. Não teve essa guerra toda”.

Acredito sim.

E é por isso que essa geração está tão mais reativa, inclusive. Ela não abaixa a cabeça. A Polícia Militar de 2017 é resultado de tudo que aconteceu de 64 pra cá e isso inclui um desrespeito profundo pelo cidadão no pacote. Truculência. Tiro de arma letal. Tiro de arma de borracha em cima da imprensa.

O policial precisa ser confrontado.

“Confrontar” é estar de frente. Tem a ver com comparar, com “bater de frente”, como a gente diz no RJ.

Óbvio que eu discordo do impedimento de ir e vir das pessoas. Óbvio. No meio desse vuco-vuco sempre tem uma senhora de 85 anos tendo infarto dentro da ambulância sem conseguir chegar ao hospital. A vida dela não pode valer menos que a do manifestante, do trabalhador ou do policial.

A gente não tá mais em 64. O povo não quer os militares no poder. O povo quer pagar os boletos em dia e fazer churrasco no domingo vendo o FlaxFlu (nense!).

Meu churrasco é meu direito.

Por essas e outras que eu entendo o cara que taca coquetel molotov no ônibus. Entendo o PM de doze na mão com o cigarro na boca atirando em trabalhador. Entendo o Cabral rindo no depoimento. Entendo os coroas pedindo a volta da ditadura.

Todos, sem exceção, querem direitos.

Os episódios dessa greve geral só me deram uma certeza: que estamos desorganizados.

Era pro PM apoiar a greve e manifestar junto. Era pro trabalhador não esculachar quem quer trabalhar. Era pra geral estar organizado, de forma pacífica, dando prejuízo no mega empresário – não no pequeno empresário que às vezes está pior que seus funcionários, porque acredite, eu já estive também do outro lado.

As opções do próximo pleito são reflexo dessa desorganização. É um candidato que apoia estupro, é um buscando se eleger pela terceira vez, é outro que ameaça juiz… Nosso futuro está cada dia mais tenebroso.

Ainda bem que tenho um saco de carvão e um quilo de linguiça no congelador.

Domingo tem Fla x Flu.

Nense!