Ideias, amor e correria

Aqui dá pra encontrar os textos que escrevo por aí. Divirta-se e me acompanhe no facebook.com/wesleybrasil ;-)

Wesley Brasil – Guia
18/01/2017, 1:37 pm

MormAço: Praça dos Direitos Humanos recebe programação nos domingos de verão

- • -

Ocupação de espaço público através da arte acontece especialmente nesta estação

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
17/01/2017, 7:06 pm

Ih caraca, 2017 começou faz tempo

- • -

E já saiu bugado de fábrica, pega a visão

Wesley Brasil
16/01/2017, 2:47 am

Na outra mesa

- • -

Aquele teu olhão me encarando e deixando tão sem reação era tudo que eu precisava pra continuar respirando. O problema é que me faltou ar, me fugiram as palavras e até o sorriso ficou tímido diante de você, ali, sentada no deck seco do restaurante razoavelzinho, instalado naquela praia nem cheia nem vazia.

Tava de noite.

Justamente quando meu coração tava todo quebrado e eu clamei aos céus por uma chama de vida, você me encarou cheia de luz. Eu brilhei. Virei estrela, de tão importante que me senti. Cê me deu um sorriso, eu te dei um abraço. Cê me deu quarenta e cinco segundos de felicidade, eu te ofereci batata frita.

Naquele minuto te olhando descobri que eu ainda era um menino e que eu nunca, mas nunca mesmo, aprendi a reagir diante de uma mulher. Okey, talvez eu já tenha me saído melhor noutras vezes noutras mulheres neutras. Contigo não dava pra disfarçar minha meninice. E se outrora eu gaguejei diante de outras mulheres, dessa vez eu me sentia mais seguro que a vela que eu segurava diante dos teus amigos e um possível namorico teu que me pedia licença. Ops.

Sentei na outra mesa.

E ouvindo tua voz, te admirando de canto de olho, eu cacei palavras, juro pra você que cacei palavras pra falar contigo. Cê tava ali num raio de metro e meio do meu alcance. Talvez sentisse meu perfume doce, talvez não. Talvez não tenha ligado pro meu olhar triste e cansado. Talvez eu só precisasse mesmo me mexer e tentar conversar contigo algo mais profundo do que as amenidades que os estranhos teimam em conversar para criar afeição. Nem precisava, só teu olhar já era o afeto que eu queria.

Você se levanta.

Tão rápido quanto minha felicidade, foi ver você partir. Peraí! O que faço Tchau, mulher. Lá se foi uma paixão. Cá ficou um coração. Ou melhor,

ele ficou na outra mesa.

Wesley Brasil
12/01/2017, 12:07 am

São João de Mentirinha pode se tornar uma cidade de verdade

- • -

A cidade precisa urgentemente de diálogo e trabalho em grupo

Wesley Brasil
8/01/2017, 5:39 pm

A gente se machuca porque (não) quer

- • -

Entre as muitas relações que cultivamos, nem todas dão frutos

Wesley Brasil
31/12/2016, 9:06 pm

Era pra ser

- • -

Era pra ser só um “oi”. Mas virou “olá”, que virou um papo, que virou uma despedida seguida de outro papo, e mais um papo e quando a gente se deu conta, tava se abrindo. E era pra ser só um desabafo. Mas lavou a alma, descarregou o peso, deu rumo e os rumos se cruzaram. Era pra ser um encontro. Mas virou outro, que virou outro, que virou mais um, que virou um passeio. E era pra ser só eu, o mar e ela, tipo a música do Luan Santana. E virou mesmo. Veio o primeiro beijo, veio a sintonia, veio outro beijo, mais encontro, mais beijo, mais papo, mais rumo, mais tanta coisa boa que deu medo. Sempre dá medo. Era pra ser só medo. E virou despedida, virou lágrima, virou tentativa, virou mais medo. Era pra ser despedida. E virou mais lágrima, virou poesia, virou expectativa, virou frustração, virou ainda mais lágrima e finalmente virou despedida. Era pra dar “tchau”. Mas eu gostava mais quando era “oi”. E depois virava “olá”.

Wesley Brasil
26/12/2016, 1:26 am

Natal, ano novo e os ciclos

- • -

Aquela época do ano pra refletir e procurar as coisas que merecem acontecer de novo - ou não

Wesley Brasil
23/12/2016, 2:31 pm

O que esperar da indústria criativa na Baixada em 2017?

- • -

A já tradicional crônica de fim-de-ano e suas previsões pro território

Wesley Brasil
16/12/2016, 2:03 am

Tô pensando seriamente em partir pro YouTube

- • -

É um processo natural para os produtores de conteúdo que desejam ampliar seu alcance

Wesley Brasil
15/12/2016, 3:12 am

Berenice em vestido preto de bolinhas brancas

- • -

O chá da tarde bateu mais forte que o esperado

Wesley Brasil
8/12/2016, 2:23 am

Escuridão na Central

- • -

Sem celular, sem nenhuma forma de ser rastreado, Ribamar se perguntava sobre as sensações de enviar mensagem ao seu amor e esperar uma resposta. Sentado na beira da rua, só tinha acesso ao sol, a roupas fedidas e a um copo sujo de cachaça da noite anterior.

Aquela manhã não fazia questão nenhuma de esconder suas dores e escancarar o desespero de existir. Ribamar só pensa no copo vazio, agora sujo apenas com a saliva espessa que não serve nem pra esquentar a alma. Sem pinga, sem banho e sem celular, Ribamar já não sorri. Parece ser uma lágrima ali no olho direito, é verdade, mas é só remela.

Ele pergunta as horas pra todo mundo. Mas o troco é apenas “não tenho”, “não quero” e outras. Aquela metrópole de gente achando que todo pedido desesperado de afeto fosse pedido de dinheiro, mas que nada: Profeta Gentileza até pensa em voltar mas sabe que não tem mais jeito. E se fosse pra voltar, que voltasse pra salvar Ribamar e seus colegas de copo, ansiosos por uma vida que fizesse algum sentido.

Sem coragem pra viver, sem covardia pra morrer, Ribamar suplica pra saber as horas. Ele sequer pede cachaça, só quer ter um registro do tempo.
São três e meia da manhã na Central.

Ainda assim ele continua vendo a luz. É a morte? É uma lanterna? Será a visão indo embora?

Maldito blackout.

Wesley Brasil
2/12/2016, 6:36 am

Dança, Berenice

- • -

Ela só queria dançar com seu vestido de renda e cabelos flutuantes, mas os meninos do outro lado da rua armados com seus olhares lascivos não deixavam. O sonho de Berenice era sair por aí com seu fone de ouvido ligado no máximo, cantarolando e pulando. Muito mal podia ligar o som de casa e […]

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
30/11/2016, 8:22 pm

Faltam dez dias pro maior evento voluntário de graffiti no mundo

- • -

O Meeting Of Favela acontece em Duque de Caxias, enchendo a Baixada Fluminense de orgulho - e cores, muitas cores

Wesley Brasil
28/11/2016, 1:20 am

O último dia na Provence

- • -

Sobre cabelos grisalhos e memórias de uma vida longa

Wesley Brasil
25/11/2016, 1:25 am

Magalhães

- • -

Uma pequena memória de um pedaço de Rio de Janeiro

Wesley Brasil
18/11/2016, 8:10 pm

O Enraizados não está de volta, porque ele nunca se foi

- • -

Ter ou não uma sede acabou sendo só um detalhe no fim das contas. "Só"?

Wesley Brasil
15/11/2016, 12:48 pm

O poema crônico, vol. 2

- • -

Dane-se. Eu perdi o gosto, eu perdi a cor, eu perdi a coisa toda pensando em você, ou melhor, em estar sem você. Era pro sol apagar, pro céu desabar, pra lua explodir, pras estrelas cair, pro vulcão irromper. Mas eu insisto em acordar de ressaca, com o cosmos assistindo meu fim, afogado em doses de angústia.

Porque a safada da vida só me deu meia garrafa de pinga, uma caneta e um papel em branco. E disse: “te vira, ô-tário”, enquanto arrancava com seu carro zero, comprado às custas das minhas angústias em não te ver. Em não me ver. Em não nos ver. Em não ver.

Eu ajeito meu óculos tentando te enxergar. Eu acordo de manhã tentando lembrar do teu cheiro. Eu abraço as pessoas tentando me encaixar do jeito que te encaixo em mim. Eu boto foto no instagram em preto e branco porque você levou minhas cores embora. Eu perdi o gosto, eu perdi a cor, eu perdi a mim mesmo pensando em você, ou melhor, ficando sem você. Já não faz nenhum sentido eu ficar aqui sem gosto, sem cor… Sem mim.

Se meu pescoço tivesse as mãos dela ao invés de um cachecol velho fedendo a naftalina, se meu ouvido tivesse a voz dela ao invés de uma Etta James já cansada pela idade, se meu coração tivesse amor ao invés de sangue, aí sim, isso aqui seria uma poesia.

Mas não é.

Não aspira a poema, não aspira a crônica, não inspira a nada. Só serve pra atrapalhar o sarau.

Hoje morri literariamente - mas desconfio também que literalmente.

“Te vira ô-tário”

Wesley Brasil – Batalha do Real
12/11/2016, 12:58 pm

Os quatro finalistas da BdR fora do palco

- • -

Uma pequena história sobre o convívio com esses caras antes da Grande Final

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
9/11/2016, 7:35 pm

A coluna de hoje não é sobre o Donald Trump

- • -

Mas tá difícil não tocar no assunto

Wesley Brasil – Opinião
6/11/2016, 6:00 am

Editorial: dez anos de Site da Baixada

- • -

A gente podia agora dividir, querido leitor, um pedaço de bolo. Não sou chegado a natalícios, mas dez anos de história merecem alguma solenidade. Quando o Youtube ainda engatinhava e a Globo estava longe de ser a líder em audiência na internet, o Site da Baixada nascia. Uma proposta simples: informar as pessoas da Baixada […]

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
5/11/2016, 1:42 pm

Brasil, segunda porta à direita

- • -

Não é de hoje que a gente volta duas casas no Jogo da Vida

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
26/10/2016, 1:00 pm

Eu não curto a Kéfera e isso não precisa ser um problema

- • -

Sobre relevância, influência e formação de público

Wesley Brasil
25/10/2016, 1:46 pm

Malandra mente

- • -

Malandra não mente
Mas malandra sente
Seja culpada ou inocente
Do crime de curtir

Malandra também mente
Também fica carente
Dá um fora ou um pente
Começou a seduzir

Malandra mente
Mete o pé pra casa sim
Porque não é não
Mas os caras não pensam assim

Ela não é maluca de levar madeirada
E ai daquele que fizer isso em casa
Maria da Penha, parceiro: vaza!

Então chega devagar
Duas palavras, entra na mente
‘Qual o esquema, bebê?’
Troca uma ideia, malandramente

Seja o quadradinho da Anita
Ou o bigodão da Frida
Parceiro, respeita as mina!

Senão nós se vê por aí.

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
19/10/2016, 1:00 pm

Precisamos (também) de ficção ‘made in’ periferia

- • -

O entretenimento pela literatura pode ser um caminho viável para uma nova visão do território

Wesley Brasil – Cultura & Arte
13/10/2016, 8:38 pm

A cena da Baixada que não compra outdoor

- • -

Festas, rodas culturais e coletivos artísticos ganham visiblidade em rede

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
13/10/2016, 12:54 am

O dia é das crianças, a noite não

- • -

Carente de matinês, cada vez mais crianças se aventuram na noite carioca

Wesley Brasil
11/10/2016, 12:35 am

Ribamar, a gorda e o menino

- • -

Embriagado com tamanha tristeza, Ribamar caminha lentamente entre as pessoas. Disfarça suas vertigens com passos arrastados, equilibrando-se sobre os dois pés. Tem gente sorrindo, gente conversando, gente se olhando, gente fazendo tantas outras coisas com outras pessoas, que Ribamar até desconfia que a solidão pode ter fim.

São duas e meia da tarde e ele fede a pinga. Pra variar.

O pinguço não se conforma em viver sozinho, em não ter telefone pra seus filhos telefonarem, em não ter endereço pra receber encomenda, em não ter whatsapp pra receber nudes, em não ter, em não ter, em não ter absolutamente nada além de roupas velhas e um espaço pouco disputado na marquise de um açougue velho.

Chora não, Ribamar. Toma outra. Pede um limão ali na barraquinha, pede pinga pra algum colega de copo, rouba um mel daquela colmeia na rua de trás. Vai lá. Você merece. Já deu o que tinha que dar, já viveu o que tinha pra viver. Agora você só precisa de pinga com mel.

E Ribamar desce a Avenida Nilo Peçanha, dessa vez cambaleando mesmo, assumindo sua embriaguez, rumo à feirinha. Quinze metros depois, resolve cair estatelado no chão. Dá uma gargalhada. Ri da sua própria situação enquanto as senhoras gordas mudam seu caminho segurando aquelas crianças melequentas com a mão esquerda e um montão de bolsas com a direita, de olho na liquidação das lojas de vestidos de viscose. Vem cá, Valdisnei! Estuda que é pra não ficar igual aquele mendigo.

Mas aquele mendigo, senhora, tem nome.

E a senhora bem que podia ensinar o Valdisnei a criar um mundo melhor pro próximo Ribamar ter algum futuro.

Fala sério. Pinga é mais barato.

Mel nem tanto.

Wesley Brasil – Batalha do Real
8/10/2016, 11:45 pm

Um rolê de Olaria a Madureira: as 24 horas que antecederam a 3ª etapa da BdR

- • -

Um pequeno relato pra quem quer conhecer os bastidores da Batalha do Real

Wesley Brasil
29/09/2016, 5:13 am

Equilibrado no meio-fio

- • -

Tá chovendo pra caramba e Ribamar insiste em ficar ali, de pé, com um buquê de flores já murcho esperando as pessoas saírem daquele prédio tão movimentado na rua que faz esquina com o Banco Central.

Ensopado, Ribamar não consegue distinguir o sabor das lágrimas, do suor, da chuva e da pinga. Só sabe que algumas horas atrás comprou flores e chegou na portaria, onde foi devidamente impedido por um porteiro que ironicamente se chamava Ribamar também. E que também bebia. Mas não era tão triste a ponto de sonhar de pé, apoiado no meio-fio por um abraço que jamais chegaria.

Mas afeto, em tempos de cólera, é a doença que ninguém quer curar.

O Sol se põe em Ribamar. Ele permanece. Firme. Eventualmente nem tão firme, afinal a cachaça faz o corpo balançar. Vertigem.

A chuva cansa de trabalhar quando algumas gotas, solitárias, com vírgula mesmo que é pra dar ênfase, escorrem pelo rosto. Ribamar sorri. Ele sabe que todo seu amor pode ser recompensado. Ele sabe que a qualquer instante ela vai sair daquele prédio da Rua Visconde de Inhaúma. E dá-lhe gente sorrindo, gente se abraçando, gente satisfeita, gente comemorando, dose de pinga, chuvisco, mais gente saindo, vendedor de chiclete, flanelinha. Vem, doutor! Desfaz! Valeu, meu superior!

Plantado na beira da calçada, Ribamar tem uma vertigem mais forte. Tonteia.

Cai.

Cinco pessoas ajudaram aquela pobre alma com terno de lã e camisa por cima da calça de sarja, enquanto o boteco cheio de gente branca toca um Stan Getz paquerando bossa nova. Gente bonita, sorridente, com drinks enfeitados na mão. Drink?

Ribamar puxa uma garrafinha d’água com pinga.

Enquanto isso, do outro lado da calçada, uma moça de vestido verde e pele preta nem desconfia que havia um mendigo apaixonado por ela. Como um anjo, ela seque seu rumo, adereçada apenas com o essencial de quem vive no céu.

Asa Branca.

Wesley Brasil – Opinião
28/09/2016, 2:00 pm

A sociedade tá colapsando e a gente não tá fazendo nada sobre isso

- • -

Tretas religiosas, caô financeiro e muita cutcharra nos relacionamentos

Wesley Brasil – Guia
27/09/2016, 1:53 am

Banda Lisbela lança seu primeiro clipe: “Luz”

- • -

Monocromia não consegue esconder as cores de uma paixão

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
20/09/2016, 2:00 pm

Porque não apoiei nem vou apoiar nenhum candidato

- • -

Sobre a farra das eleições municipais e o reforço da descrença no sistema

Wesley Brasil – Opinião
14/09/2016, 2:00 pm

Não mete essa de “pauta da esquerda” não

- • -

A galera às vezes parece o Leônidas de Esparta naquela cena insana com o mensageiro, tratando assuntos elementares com a maior ignorância e truculência possível, ignorando toda e qualquer ideia que vá contra a sua linha de pensamento. Feião. Reforma política, direitos humanos, cidadania, aborto, racismo, homofobia, leis trabalhistas e tantos outros temas essenciais, que […]

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
11/09/2016, 4:21 pm

Independência, morte e a tal democracia

- • -

Neste mês de setembro gostaria de abordar “temas políticos”, apesar de gostar muito de escrever sobre comportamento. Os textos sairão aqui no Voz, alternando com outros lá no Site da Baixada. Toda semana um diferente. Às margens plácidas do Ipiranga, um monarca herdeiro de uma fortuna resolveu gritar “independência ou morte”. Pois é, não foi um povo...

Wesley Brasil – Blog da Re(d)ação
11/09/2016, 12:32 am

O Facebook bloqueou a página do Site da Baixada

- • -

O portal segue firme e forte, rumo aos seus dez anos

Wesley Brasil
7/09/2016, 5:05 am

Samba ou tipo assim

- • -

Nem o sabonete de camomila é capaz de acalmar a minha pele com o cheiro da tua pele. Tá aqui cravado, como um atestado de alegria muita nessa vida pouca. Faço questão nenhuma de rima, mesmo com a alvorada que se aproxima às cinco da matina. Dava pra engolir um poema inteiro ou escrever uma crônica primeiro.

Primeiramente, me beija.

Mas não me beija por carência, seja minha ou sua. Não me beija porque disseram que isso é o que fazem os adultos quando trocam mais de um sorriso seguido. Não me beija porque já tá tarde. Não me beija porque você é a escolhida e muito menos porque sou o amor da sua vida. Não me beija por nenhum outro motivo que não seja o hoje. O agora. O momento. A celebração desse encontro cósmico que é o teu olhar com o meu olhar.

Quando te olho, mulher, acredite, meu coração faz uns “tum-tum” meio assim descompassados, sabe?

Mas fica tranquila porque coração de poeta é assim,
dança em verso e prosa, lança um verde e rosa,
e bate rápido tipo um tamborim.

Salve Cartola. Porque bate outra vez com esperanças o meu coração, pois já vai terminando o verão.

Enfim.

Wesley Brasil
30/08/2016, 2:43 am

Pinga e rejeição

- • -

A lágrima seca não desceu. Ribamar encarava a si mesmo no espelho com seus olhos quase marejados, muito vermelhos, espumando uma tristeza tão profunda que se confundia com ódio. Talvez fosse mesmo aquele sentimento negativo e pesado, desta vez direcionado pra si mesmo.

Pinga e rejeição.

Naquele banheiro mal iluminado com uma lâmpada amarela, Ribamar tenta se acalmar. Já fazem cinco minutos sem beber e cinco anos morando nas ruas. Narinas rígidas, corisa desce. Ele funga. Luta contra uma tristeza tão profunda que sente o corpo pesado a cada respiração.

Pinga e rejeição.

Do lado de fora do banheiro rabiscado e quebrado, um boteco pé-sujo que toca carimbó. três ou quatro outros bêbados fingem jogar bilhar enquanto algumas mulheres maquiadas com batom na bochecha descem mais uma cerveja. Ninguém se olha de verdade. Ninguém se toca de verdade. Ninguém se quer de verdade.

Pinga e rejeição.

Meia hora depois, Ribamar resolve lavar o rosto. Já não tinha mais água na bica. Só tinham duas coisas ali.

Pinga.

Rejeição.

Wesley Brasil – Guia
2/08/2016, 1:04 pm

‘Besta é tu’: festa estreia em Nova Iguaçu

- • -

Festa de música brasileira promete agitar o fim-de-semana

Wesley Brasil
1/08/2016, 2:53 pm

Amor não admito

- • -

Contigo, meu gole de café parece água. Nada me abala, nada me acorda, nada me acalma. Olho em volta e não consigo saber como vim parar aqui sozinho. As paredes brancas não aumentam o ambiente e só me fazem sufocar.

Entenda: não estou falando de amor. Estou falando de alguma coisa muito louca que me fez acordar sorrindo essa manhã, sentindo algo estranho: tua ausência. Confesso, é saudade sim. Mas não é amor, isso não admito.

Só sei que preciso muito desse negócio que tô sentindo e não sei como resolver isso sem você por perto, bem perto, muito perto.

O cobertor de viscose parece até de luxo.

Wesley Brasil
1/08/2016, 2:49 pm

Um amor supremo

- • -

O cabelinho curto, ruivo de arrancar suspiros, era o suficiente pra declarar a delicadeza de Berenice - mesmo com suas tatuagens e carinha amarrada para os rapazes da esquina. Mas a culpa era dela não.

Senta direito, Berenice. Cruza a perninha. Veste aquele vestidinho rosa que mamãe comprou. Faz isso. Faz aquilo. Se comporta. Berê cansou.

Das suas viagens por esse mundão, carregou na mochila sempre um bocado de tristeza - não importava a cor da roupa. Dá um sorriso, Berenice, você é tão bonitinha. E a mocinha virou moça com a discrição de apontador do jogo do bicho. Os vestidinhos lentamente tiveram que dividir espaço com as curvas novas, com palavras novas, com a sociedade velha.

Berê tava cansada.

A ruazinha de paralelepípedo foi asfaltada anteontem. Sinal dos tempos, final dos tempos, sabe-se-lá o que seria isso. Só sabe-se que ontem mesmo Berê queimou seus vestidos.

Wesley Brasil – Guia
1/08/2016, 2:38 pm

Tiago Iorc fará show em Nova Iguaçu

- • -

14 de agosto será um “dia especial” para quem for ao Aeroclube de Nova Iguaçu a partir das 18h. Trata-se do Estação Rio, que desta vez traz Tiago Iorc com entrada gratuita. O show está confirmado no website oficial do artista e há um evento no Facebook criado especialmente para os fãs da Baixada Fluminense, através […]

Wesley Brasil
1/08/2016, 2:36 pm

Luz sem fim nem túnel

- • -

Luz. Ribamar encara uma cor branca, eventualmente amarela, meio que mexendo-se. Está deitado. Só consegue ver aquele borrão à sua frente, perplexo com sua própria existência.

Riba sorri.

Devidamente bêbado, como de costume, os restos de comida não são suficientes para recobrar a sobriedade. Não faz ideia de onde vai chegar com a tal luz, só sabe que, de alguma maneira, ela significa alguma coisa.

Dez longos segundos passados em câmera lenta são suficientes para perceber que teve um dejavu - não de passado, mas sim de um futuro próximo.

Seria o verdadeiro amor? Seria um sinal de vida descendo dos céus? Seria um anjo vindo lhe abençoar após tantos momentos solitários e tristes numa cidade grande à procura de algum afeto? Seria um vaga-lume que só alumia sem vagar?

O lanterninha do cinema não sabia como abordar aquela pessoa deitada em três cadeiras.

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
27/07/2016, 8:27 pm

Parem de inverter as coisas, vocês são chatos pra caramba

- • -

Do racismo reverso ao orgulho hétero, não há textão que aguente Sério, vocês tão muito chatos. Vocês não conseguem ser brancos héteros cisgêneros sem passar vergonha? Cara, a gente precisa trocar ideia sobre isso, porque a turma tá numa frescura danada. “Daqui a pouco não pode mais chegar nas meninas”, “ah, se fosse um branco...

Wesley Brasil – Guia
26/07/2016, 7:30 pm

Cultura Hiphop une forças para grande evento em Queimados

- • -

Batalha de rima, shows e roda de discussão estão na programação

Wesley Brasil
21/07/2016, 3:53 am

Pinga com mel

- • -

Descendo a rua, Ribamar avista um canto escuro e sorridente. Pagode, samba, ou algo assim. Batuque. Ele entra entre sorrisos e pichações pela parede.

Ribamar se perde com tanta alegria e até esquece que por mais uma noite vai dormir na rua, ao relento, numa esquina de pedras. Duas mulheres olham ao mesmo tempo pra ele. Seria sua chance? A loura, espetacular, lhe oferece um gole. A morena vem por trás, já com o beijo na nuca.

Mais um gole.

Ribamar se perde entre pinga e mel. As doses a preço de banana lhe fazem rapidamente encontrar seu estado normal de embriaguez. A dança de tantos corpos com som alto abafa o barulho daquele pagode estranho tocado em terras estranhas. Um sotaque barroco, um jeito respeitoso de fazer bagunça. Ribamar se sente seguro.

Saindo do bar, Ribamar sobe a rua com a morena e a loura. Seria sua chance? Embriagado, comete o sincericídio de ser um bom rapaz. E ao invés de alguma sedução, Ribamar mostra todo seu lado bom.

Acordou sem carteira, sem dignidade, sem fazer um bom trabalho.

Vida com gosto de fel.

Wesley Brasil
19/07/2016, 7:08 pm

Do coração vadio, do abraço vazio

- • -

Faz um frio danado e eu trocaria o calor do meu copo pelo calor do teu corpo. Não se trata de solidão, é que eu tô de saco cheio das noites bem dormidas, sem nenhum aborrecimento, sem nenhuma saudade, sem nenhum sentimento, sem nenhum momento.

Confesso que não sei quem você é, mas sonho contigo toda noite. Confesso que não sei o sabor do teu beijo, ou talvez até saiba, mas ainda não foi o momento. Confesso que de todos os meus pecados, o maior deles foi ter te amado a cada rosto desconhecido, ter esbarrado contigo a cada sorriso e mesmo assim nunca ter dito “oi”.

Tô sempre fazendo cara de bobo pra você.

E esse meu coração vadio insiste em me sabotar, em me fazer te enxergar onde você não está. Espalho abraços vazios, sorrisos sem graça e palavras aleatórias até o dia que finalmente te conhecer.

Semana passada te vi, linda demais na plataforma do metrô. Anteontem esbarrei contigo no ônibus. Ontem te vi passando pela rua. Hoje cedo esbarrei contigo procurando uma padaria. Na hora do almoço te vi enquanto assistia o jornal. Ainda há pouco jurava ter te visto no elevador.

Espero te conhecer hoje ali na fila do japonês.

Wesley Brasil
14/07/2016, 1:39 am

Dois sorrisos tristes

- • -

Você tem um sorriso tão triste.

Não sei se é um lance com teus olhos, se é a cor do teu batom, se é teu perfuminho doce ou se é simplesmente o jeito que você abaixa a cabeça quando sorri.

Essa tristeza aí acaba contigo, mas começa comigo.

Começa na minha própria tristeza e na solidão que eu sinto toda vez que olho no espelho. Começa na melancolia dos dias fatídicos com aquele sol irritantemente feliz, esturricando meus pensamentos. Começa a me fazer largar tudo pro alto e mudar contigo lá pro interior de Minas.

Esse teu sorriso triste é um problema sério.
Esse meu sorriso triste é um problema sério.

Aí eu tava pensando: se a gente colasse um sorriso no outro, dava um beijo doce igual teu perfume. Porque dois sorrisos tristes, meu bem, devem dar um amor lindo lindo.

Daqueles que a gente até abaixa a cabeça depois de sorrir.

Wesley Brasil – Guia
8/07/2016, 12:57 pm

Fim de semana tem Buraco do Getúlio, Festival MPB e atividades para toda a família

- • -

Um fim de semana repleto de atividades na Baixada Fluminense, especialmente em Nova Iguaçu, está sendo preparado para o público ávido por diversão que não deseja atravessar a Linha Vermelha à procura de diversão. Após dez anos de atividades, o Cineclube Buraco do Getúlio realizará dois eventos em seus palcos favoritos: o Ananias Bar e a Praça dos Direitos Humanos. […]

Wesley Brasil
27/06/2016, 2:13 pm

Banho invernal

- • -

Poderia ser mais uma história bonita de um bom vivant, flanando pela cidade e aproveitando o frescor de uma tarde de domingo. Mas não. É Ribamar desorientado numa esquina suja e silenciosa.

O céu azul e o barulho de uma bandinha de forró lá longe são o plano de fundo da ressaca. A TV ligada no apartamento de cima apresentava as atrações de São João. Qual será o hit dessas férias? Ribamar não sabe e sequer se lembra dos hits anteriores - do verão e de quaisquer outras estações.

Corpo pesado. Tontura. O bequinho fedorento já não serve de abrigo e Ribamar se sente exposto. Seu papelão não serve de abrigo nem pro sol.

Papelão.

Tá aí uma palavra que resume bem a sua vida, que às vezes parecia se resumir ao ridículo, à derrota, à patifaria da vida contra um homem desequilibrado.

A bandinha parou de tocar. A TV parece ter sido finalmente desligada, dando alguma paz praquela ressaca que insistia em ficar. Barulho de torneira. A dona da casa deve estar lavando a louça, ao contrário de Ribamar que só vive do descartável - uma metáfora perfeita para a sua vida, que poderia ter fim e ninguém notar. A janela abriu. A dona da casa dá um tchauzinho. Ribamar se esforça em abrir os olhos, cambaleando acena usando o braço inteiro.
Mal sabia ela que tudo que ele precisava era daquele balde d'água atirado na sequencia.

Ficar três semanas sem banho é sempre complicado.

Wesley Brasil – Cultura & Arte
12/06/2016, 6:54 pm

A cultura precisa dialogar com o entretenimento

- • -

O público quer ver mais ação e menos teoria