Wesley Brasil – Cultura & Arte
2/02/2016, 10:00 am

O que o (im)possível fim do Sarau V pode representar pra cultura da Baixada?

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A gente precisa dar uma refletida sobre o assunto

Wesley Brasil – Opinião
1/02/2016, 9:25 am

O carnaval e a desculpa esfarrapada da crise financeira

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Quando a preguiça de administrar fala mais alto

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
27/01/2016, 10:27 am

O esculacho nos muleques na Saara foi um tapa na cara da sociedade

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Quem anda na madrugada do Rio sabe que a coisa não é fácil. Não estou falando da saída daquela boate bacana: estou falando da rua mesmo, aquela onde a gente sabe que a pista tá salgada, que o esculacho pode estar na próxima esquina. Já andei muito pela Saara, voltando da Lapa. O fato de serem...

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
15/01/2016, 4:24 pm

Estamos transmitindo a mensagem errada e precisamos parar

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Da mídia ao dia-a-dia, o que define nossa realidade é aquilo que nos cerca Sim, é meio, ou melhor muito óbvio dizer que a nossa realidade é aquilo que nos cerca. Convido você, leitor, a se debruçar dois minutos sobre isso com seriedade. Sinceramente seria muito bacana termos a habilidade de Hurricane, aquele lutador negro interpretado por...

Wesley Brasil
12/01/2016, 1:27 am

Lágrimas de pelúcia

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Sentada na beira da cama, Berenice tenta inutilmente secar as lágrimas que não param de descer de seus olhos já inchados de tanto chorar. É noite e todos dormem.

O cobertor bordado com rendas, branquinho como sua pele frágil e cabelinho ruivo combina com as paredes claras, que disfarçam sua cor na escuridão do quarto frio. Tapete bonito, aquele ali no chão - parece até veludo.

Entre soluços e mãos cobrindo o rosto, Berê só chora. Se entrega à tristeza profunda de uma moça tão cheia de sonhos e lotada de decepções. Sonha ser feliz. Conta seus segredos pro urso de pelúcia, que a observa sem entender nada. Por que tanta dor, Berê? Quem fez isso contigo?

“Ninguém me entende”.

Sem ninguém pra conversar, a menina tenta inutilmente controlar seu surto. Só repete, entre um soluço e outro, a frase mais repetida por mocinhas tristes em toda a história da terra. Ela só quer o abraço carinhoso de alguém que não pretende entender suas lágrimas, não planeja nada além de fazer-lhe companhia.

O urso continua estático, aguardando pacientemente ser abraçado. Age como um verdadeiro amigo deve agir na hora da tristeza.

Wesley Brasil – Cultura & Arte
11/01/2016, 12:36 am

“Os 8 odiados” passa longe das telonas da Baixada Fluminense

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Tá complicado ver um não-blockbuster no cinema, mesmo que ele seja dirigido pelo Tarantino

Wesley Brasil
9/01/2016, 11:23 pm

"A vida se trata de arrependimentos. Cabe a nós apenas escolher quais queremos ter."

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“A vida se trata de arrependimentos. Cabe a nós apenas escolher quais queremos ter.”

Wesley Brasil
9/01/2016, 11:20 pm

"Dinheiro não tem misericórdia."

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“Dinheiro não tem misericórdia.”

Wesley Brasil
9/01/2016, 3:11 am

"O amor é o estado mais anárquico do ser humano."

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“O amor é o estado mais anárquico do ser humano.”

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
6/01/2016, 10:19 am

Sim, Rio, você me deve até a sua alma

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Sua elite branca só quis me sabotar, então precisamos trocar uma ideia séria sobre isso Conheci o Centro do Rio aos 15 anos de idade. Foi uma tarde incrível, onde vi obras de arte de grandes artistas pela primeira vez. Como a maioria dos moleques criados na Baixada Fluminense, não fazia ideia que existia algo...

Wesley Brasil
5/01/2016, 11:34 pm

Pra casar

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Acredito cegamente na ideia de encontrar aquela moça “pra casar”. Machista! Sou não, peraí, sou o penúltimo romântico - o último é o Delano.

Com que tipo de pessoa você quer passar o resto da sua vida? Com quem você conseguiria acordar sorrindo numa segunda-feira de inverno e ver que vale a pena encarar aquele trânsito infernal e o chefe insuportável?

Entenda: “pra casar” não é a mulher que sabe cozinhar. É aquela que vale a pena cozinhar. É aquela que te faz fazer coisas que não faria ou fazer com excelência aquilo que você faria.

Talvez a sua mulher pra casar use dreadlocks e curta uma praia. Talvez a do cara aí do lado seja uma engenheira especializada em física, porque você é fã de Star Wars e fica maravilhado com a maneira como ela explica os segredos do universo.

Em tempos de amores descartáveis, acredite, ainda dá pra encontrar alguns feitos pra durar.

Pra mim, mulher pra casar tem gostos bem peculiares. Ela sabe quem foi Nina Simone sem ter ouvido falar dela pela primeira vez numa chamada do Netflix. Ela não tem preconceito com funk. Gosta de ver filme agarradinho mas também gosta de som alto.

E o lance do fogão?

Tem homem apaixonado por cozinhar. Esse cara não vai querer uma mulher na sua cozinha, não é mesmo? Tem uns que são preguiçosos. Esses não vão nem querer mulher.

Consigo imaginar aquela tarde de outono, nós dois fazendo a janta. Eu preparo o molho e ela prepara a massa. Eu cuido do queijo e ela do tomate. Eu escolho o vinho e ela a sobremesa.

Parceiragem.

Vai ver, todo cara quer encontrar aquela moça gente fina - e a ideia de “gente fina” pode ser muito relativa. Tipo física. Tipo a mina do Star Wars.

Aquela que te deixa “feeling good”.

Wesley Brasil
4/01/2016, 5:02 am

Conspiração do universo

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Definitivamente não faço a menor ideia do que vai sair daqui pra frente. Depois de muito tempo pensando, tomei uma decisão importante pra toda a minha vida e resolvi acreditar na possibilidade de ser um escritor.

Talvez você já se prepare: “é, lá vem livro por aí”. Que nada. Apesar de eu ter uma ideia de livro (romance) e uma para uma biografia (que não, não é a minha hahahaha), não tenho a menor previsão de escrever um livro.

Pra piorar a situação, a turma que escreve mais próxima de mim é a da poesia. Mandam bem, fazem saraus, participam de coletâneas, da bienal do livro… E eu aqui, um dos poucos da crônica, comemorando que finalmente consegui o tumblr com meu nome. Finalmente o “wesleybrasil.tumblr” que sempre sonhei.

De alguma maneira o universo conspira. Não estou falando de astros, de crenças complexas nem nada disso. Na real, esse papo beira a conversa de botequim depois da quinta rodada. Acredito que de alguma maneira as coisas convergem, saca?

Já vivi um bocado pra quem tá chegando nos 30. Já venci com louvor e já fui derrotado fragorosamente. Estou me referindo, querido leitor, a todos os campos da vida. Todos. Do emocional ao financeiro, do espiritual ao familiar. Já tive até ano sabático.

É como se eu tivesse sido agraciado com experiências de vida totalmente desconexas que no fim das contas estão completamente relacionadas por elos que ainda não consigo enxergar. Coisas acontecem. Diante disso tudo, só tenho uma certeza:

Tô aqui pra contar histórias.

P.S.: A partir de agora vou compartilhar algumas impressões, ensaios e crônicas avulsas - tanto em primeira quanto em terceira pessoa. Será um prazer ter leitores. Minha página no Facebook é fb.com/wesleybrasil

Wesley Brasil
4/01/2016, 1:34 am

Um copo em uma casa

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O café servido em copo de whisky ainda fede a bebida da noite anterior. Amargo, parece descer a garganta usando a escada. O elevador hoje parece não querer funcionar.

Desce.

Mais uma manhã solitária com restos de comida pelo chão. Ribamar olha em volta, já não se lembra como fez o café, quanto mais como foi parar naquela cozinha que lhe parece tão familiar. Família.

Barulho de criança vindo do quintal. Duas, talvez três, que se misturam ao som de pássaros. Porque pombo também é pássaro e os filhos do vizinho também são gente.

Quando olha a foto sobre a estante, percebe que entrou na casa errada.

Wesley Brasil – Opinião
31/12/2015, 6:19 pm

Aquele Wesley podia ser eu

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E ele não virá aqui contar sua história

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
2/12/2015, 11:38 pm

A ação vale mais que um like

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Toda semana, de segunda a quarta, é o mesmo perrengue: qual será o assunto da coluna no Voz da Comunidade? Como posso usar minhas palavras para inspirar alguém? Como usar essa plataforma (inter)nacionalmente conhecida para dizer algo relevante para o nosso país? Minha dúvida não é só minha. Na busca pelo discurso mais tocante, um...

Wesley Brasil – Opinião
1/12/2015, 11:09 am

As mazelas da Baixada Fluminense não deveriam ser motivos para piadas

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O buraco na rua, a falta de médicos, a imprudência no trânsito... Nada disso deveria te fazer rir

Wesley Brasil – Cultura & Arte
30/11/2015, 11:45 am

O Meeting Of Favela me fez entrar pra cultura hiphop

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O maior encontro voluntário de arte urbana do mundo é a verdadeira faculdade de hiphop pra quem se envolve

Wesley Brasil
23/11/2015, 3:14 am

Família dominical

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Quatro mesas, quatro famílias. Do lado de fora do restaurante, Ribamar observa os sorrisos felizes, os casais apaixonados e as crianças inquietas, batalhando pela atenção de seus pais.

É domingo.

Como de costume, está bêbado. Mas dessa vez o estômago clama por descanso, se possível comida. Restaurante lotado.

Debaixo de sol, aquele mar de felicidade entre as mesas só piora a embriaguez. O casal lá do fundo troca olhares entre um garfo e outro. Sorrisos de canto de rosto intercalam pequenas frases eventualmente interrompidas por gargalhadas. Vai ver, é até amor. Na mesa ao lado, perto da janela, dois velhinhos saboreiam o almoço. Não têm pressa, não precisam mais se conhecer com palavras como antigamente e deliciam o ato de viver. Juntos.

Na frente de Ribamar, perto da porta, uma família se diverte. São três crianças, um pai e uma mãe. Parecia comercial de margarina, não fosse a pele escura de cada um deles.

Se escorando na porta, acompanhado de um saco vazio de papel na mão esquerda, Ribamar observa cada gesto em câmera lenta. Por um instante pensa em parar de beber, fazer a barba, ajeitar os dentes e procurar um grande amor. Mas agora não dá, seu pedido chegou.

Mais duas garrafas de pinga pra levar no saco de papel.

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
11/11/2015, 10:10 pm

A favela é a crise existencial do Brasil

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Todo mundo já viveu aquela fase de mudanças de comportamento depois de um período de reflexões profundas. Questões como ‘quem sou?’ e ‘o que eu tô fazendo aqui?’ são comuns em algum(ns) momento(s) da vida. De fato, uma crise existencial pode ser revigorante. É uma oportunidade única para reavaliar os rumos da vida, refletir sobre...

Wesley Brasil – Blog da Re(d)ação
3/11/2015, 1:06 am

EDITORIAL: O negócio social do Site da Baixada em 2016

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Olá, sou Wesley Brasil – editor do Site da Baixada. Desde o dia 30 de abril deste ano o SB vem assumindo cada vez mais seu compromisso em contribuir na construção de uma Baixada Fluminense melhor. Eu vivo num lugar fantástico, recheado de gente incrível, que resiste sem o apoio da mídia. Sou nascido e criado numa terra escandalosamente […]

Wesley Brasil – Opinião
19/10/2015, 11:00 am

Sobre o desafio de despertar amor à Baixada Fluminense

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Nosso vizinho tira de letra esse desafio, enquanto nós ainda não aprendemos a amar a Baixada Fluminense

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
15/10/2015, 6:40 pm

As parcerias criativas são a chave para uma nova imagem da Baixada Fluminense

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Daria pra escrever um livro inteiro sobre grandes projetos realizados através de parcerias criativas – quando duas ou mais mentes brilhantes se unem a favor de uma causa maior. Por exemplo, Steve Jobs, por mais genial que fosse, uniu-se a outro Steve – o Wozniak – pra fazer a Apple tornar-se realidade. Por aí vai. De...

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
8/10/2015, 12:00 am

Sem memória, a Baixada não entende o seu valor

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Me sinto um privilegiado em manter contato com a turma das antigas. Do alto dos seus cabelos brancos, tenho lições valiosíssimas com o Professor Gênesis Torres – um dos maiores historiadores vivos da Baixada Fluminense, atual presidente do Fórum Cultural da Baixada Fluminense e criador do IPAHB (Instituto de Pesquisas Históricas da Baixada Fluminense). Com...

Wesley Brasil – VOZ DAS COMUNIDADES
2/10/2015, 9:12 pm

Vivo numa Baixada Fluminense em crise existencial

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Quem lê a Voz da Comunidade já deve estar cansado de saber a bela história do Rene. Inspiradora. Crescente de sucesso. Forbes. Harvard. Alemão. Favela. Nova York. Só que esse papo pode ir muito além dos likes e corações no Instagram. A história do Rene serve pra inspirar a nossa geração e mostrar que precisamos...

Wesley Brasil – Opinião
23/09/2015, 12:40 pm

Com todo respeito? A sul financiou a revolta e agora não aguenta os juros

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Se há quem financie o ódio, temos que financiar o amor

Wesley Brasil – Cultura & Arte
15/09/2015, 5:35 pm

O que podemos aprender do primeiro show do Emicida na Baixada Fluminense

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Ingressos esgotados em 24h, ginásio cheio e música brasileira contemporânea

Wesley Brasil – Opinião
1/09/2015, 10:47 pm

Ainda falta um ecossistema para a economia criativa da Baixada pegar impulso

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A falta de conexões de rede e incentivos fiscais têm sufocado negócios criativos na região

Wesley Brasil – Opinião
24/08/2015, 7:20 pm

O prefeito Sandro Matos só pode estar de brincadeira com a cultura de São João de Meriti

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Fanfarronice, desrespeito e outras palavras ainda não descrevem a situação da cultura da cidade

Wesley Brasil – Opinião
7/08/2015, 5:03 pm

É hora de pensar a Baixada Fluminense para o Brasil

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Se tem uma coisa que minha carreira no mercado publicitário carioca ensinou é que “não existe propaganda boa para produto ruim”. Essa máxima guiou meus princípios profissionais – e guia até hoje. Vi muita ideia cheia de grana no bolso morrer porque era ruim. Esse paralelo mercadológico ilustra bem a nossa situação por aqui nessa […]

Encontrarte » Wesley Brasil
29/07/2015, 1:30 pm

O poder do brilho nos olhos

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Wesley Brasil – Opinião
15/07/2015, 11:35 pm

O estupro é um problema dos homens de bem

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Leia "homens de bem" com o máximo de interpretações que puder

Wesley Brasil – Cultura & Arte
12/07/2015, 11:37 pm

Mapas de cultura da Baixada e a memória da região

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Tem muita coisa (boa) chegando pra catalogar as novidades da Baixada, mas ainda não vi nenhuma levantar o valor da sua história

Wesley Brasil
5/07/2015, 12:41 am

Propaganda é coisa do século passado

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A indústria da comunicação precisa de mudanças fundamentais

O post Propaganda é coisa do século passado apareceu primeiro em Wesley Brasil.

Wesley Brasil
2/07/2015, 3:07 am

O ninho da morte

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Faltava pouco para os cânceres de Ribamar se unirem e formar uma coalizão, travando não uma batalha, mas uma destruição completa do que restava do corpo do moribundo.

Ribamar está deitado com sua camisa rasgada e jeans velho, fedendo a merda, acompanhado de moscas e ratos, sob o teto enferrujado do Chevette abandonado naquele beco à meia-luz.

Cheiro de pus.

São nove da noite e ninguém vai sentir sua falta. Um mendigo a menos pra poluir as calçadas que as madames usam com seus poodles e sapatos escrotamente caros. Enfiado naquela carcaça embebida no tétano, Ribamar não sente mais falta de si. A respiração é lenta e involuntária. Fraco, com a perna direita dormente, não consegue sequer atirar-se pra fora do seu ninho da morte e esboçar uma reação.

Ribamar aceita, de peito aberto, a morte que se aproxima.

Dois ratos brigam por um pedaço de algo podre que Ribamar não faz esforço pra ver. Esforço. Se tivesse feito algum, não estaria agora nesse estado deplorável. Verdade seja dita: ele já estava assim por dentro antes disso tudo. Mas isso não importa mais. O pus não importa mais. Os ratos e a ferrugem não importam. O beco não importa. Nada importa - nem a garrafa de cachaça pela metade, descansando a um palmo da palma de sua não esquerda.

Cheiro de pus. É hora de partir.

Enquanto sente seus pés ficando gelados e a morte ligando a seta para estacionar, Ribamar fecha as mãos. Depois cruza os braços e tenta ficar em posição fetal. Está agora no útero de sua mãe. Protegido. Alimentado.

A morte desliga o motor.

Fecha os olhos e vê sua vida passar num flash. Há imagens de amor, cânticos de paz e abraços. Talvez já inconsciente, cerra ainda mais os punhos e sente seu corpo levitar. Ribamar percebe que não há mais chão. De repente, tudo macio e quente. O útero. O feto. É o fim, em paz, no que parece o banco traseiro de um carro.

Naquela noite, a morte salvou sua vida.

(Agora imagina, no lugar da morte, alguém de preto, bem dark, colocando-o numa ambulância)

Wesley Brasil – Opinião
25/05/2015, 12:00 pm

A gente tá nadando num mar de ódio e não tá percebendo

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A defesa do que é justo tem criado injustiças grandes: parece brincadeira, mas vivemos uma roda de ódio que só acelera

Wesley Brasil – Opinião
21/05/2015, 4:04 am

O Beltrame deixou claro o quanto o Governo do Estado repudia a periferia carioca

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E ele não dá a mínima, sabendo que o repúdio é mútuo

Wesley Brasil – Cultura & Arte
18/05/2015, 2:10 pm

A falta de palcos na Baixada afeta toda a indústria de cultura e entretenimento

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Pesquisa recente da consultoria JLeiva comprova: o público da Baixada Fluminense deseja consumir produtos culturais, mas não o faz pela falta de oferta. O que a massa não sabe é que existe uma grande indústria na Baixada Fluminense, produzindo diversos destes produtos prontos para consumo – o problema está na distribuição. Vamos olhar um pouco para […]

Wesley Brasil
2/04/2015, 3:06 am

Primeiro dia

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Cheia de sonhos, Berenice escondia sua timidez sob os cabelos loiros e o olhar debochado de uma menina em corpo de mulher. Curvas indomáveis, cores ardentes que destoavam do jeito meigo de mocinha que fala olhando pra baixo quando quer alguma coisa.

Eram nove da manhã e Berê buscava seu espaço no metrô lotado, rumo à Estação Central. Vinte minutos. Meia hora. Cinquenta minutos. Cinquenta e um minutos. Cinquenta e dois. Até os segundos passavam a se arrastar no meio daquela multidão de mulheres falando alto, contando as vitórias do fim-de-semana - enquanto Berenice lembrava das suas tristezas dominicais e suas derrotas diárias.

Seja forte, Berê. A vida não é assim não.

Por mais forte que seja o conselho, ela precisa desembarcar na estação e caminhar para sua pequena prisão. É seu primeiro dia de trabalho.

Almoçou sozinha.

No fim do dia, Berenice se pergunta o que está fazendo sentada naquela cadeira desconfortável, mexendo em papéis que ela não faz ideia da real utilidade. Ela prefere a borboleta do seu jardim ao seu trabalho. Ela prefere os passarinhos que ficam na árvore do vizinho barrigudo com bigode engraçado que anda mancando da perna esquerda. Berê prefere o verde do bosque no final da rua.

Seu primeiro dia seria mais uma derrota? Berenice perderia mais um dia da sua vida com algo sem propósito?

Ela sequer deslogou do Facebook quando pulou da janela.

Wesley Brasil – Opinião
15/03/2015, 6:39 pm

Re: Quantos likes esse texto merece?

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Nasci em 1986, o ano do cometa Halley: presenciei o grande passo que a humanidade deu para longe de si

Wesley Brasil – Opinião
9/03/2015, 9:03 pm

Re: Cultura do Rio x Cultura da Baixada

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O que falta para grandes produções virem para a Baixada?

Wesley Brasil
8/03/2015, 3:15 am

Dia das Berenices

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Hoje é seu dia, Berê. Pára de chorar e sorri. É dia de mostrar como você é forte, é dia de ignorar sua dor, seu álbum de tristezas. Hoje é dia da mulher, Berenice, se orgulhe!

Mesmo com os pedidos mais vazios que recebia, Berenice se escondia no canto da sala. Olhava o chão com certa ternura, enquanto fazia círculos com a mão direita. Sentada de pernas fechadas com o vestidinho florido, Berê parece estar em outro lugar, senão aquela ampla sala cheia de mulheres comendo bolo e festejando polidamente. 8 de março, dia internacional da mulher.

Aquele corpinho frágil não sabia como se comportar. Se era seu dia, porque devia agir do jeito que esperam? Se ela podia comemorar, porque não podia se afogar no ponche e dançar descontroladamente sua música favorita? Se tinha autorização, só nesse dia, porque não podia fazer tantas coisas que os meninos do outro lado faziam todo dia?

Berê se irrita.

Como boa menina, não demonstra sua irritação e se mantém calada. Boa menina. Passadas as duas horas de festinha, as gordas que dominam a sala começam a arrumar tudo. O marido da dona da casa estaria chegando, provavelmente bêbado, e tudo precisava ficar em ordem. A decoração rosa dava lugar a uma sala sombria. As mulheres vão sorrindo para a cozinha, e Berenice se levanta delicadamente para observá-las lavando a louça. Se oferece para bater o pano de prato. Boa menina.

No dia da mulher, o que Berenice mais queria era ser homem.

Wesley Brasil
6/03/2015, 3:16 am

Bondade vazando, lágrimas caindo

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Liga não, Berenice. Essas lágrimas são só seu amor e tudo que você tem de bom, transbordando de você.

Por mais que ela buscasse calma, não segurava o choro. Não se trata daquela gritaria desesperada ou daquela encolhida com os joelhos. A mocinha tremia de angústia, num chacoalhar quase imperceptível.

Berenice era uma menina tímida cheia de sonhos, morando numa casinha apertada daquela cidade grande. Grande como seus sonhos. Barulhenta como sua mente. Triste como seus olhos.

Pois é. Berê tinha olhos tristes. Ela e toda uma geração carente de amor.

Pontinho na multidão, ela se camufla e até parece uma pessoa normal. Sinal verde. Caminhar pela cidade era sinônimo dr parar o tempo todo. A chuva fina escorre pelo seu cabelinho cacheado, rubros como suas bochechas. Berê ergue a cabeça e respira. Cheiro de asfalto molhado - quase tão bom quanto terra. Em poucos segundos ela viaja para outra dimensão e se deixa levar pelos sonhos.

Sinal vermelho.

Carros param, barulho de freadas, gente reclamando. Anda, Berê! Não anda. Apenas pensa nas tristezas da vida, na maldade das pessoas. Sinal verde. Ela caminha pela última vez na vida.

Entre gotas de chuva, lágrimas são tempero pra água.

Wesley Brasil
25/02/2015, 3:17 am

Colecionadora de pôr do Sol

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Carregava no rosto o sorriso mais “sorria comigo, porque estou contente” que alguém poderia ter. Berenice era pele branquinha, cabelo curtinho, vestidinho de florzinhas e batom vermelhinho.

Fim de tarde era seu ritual favorito: sentar no meio-fio, apoiar os cotovelos nas pernas fininhas e o rosto nas mãos fechadas. Às vezes abertas, pra secar as lágrimas. Berê olhava o sol se pôr todo santo dia.

O bairro sujo e pobre que ela morava era um contraste com sua formosura. Berenice era a menina da flor azul, era a esperança de uma cidade. A leveza dos seus passos no final do dia era o que aquelas pessoas tinham de mais próximo dum poema.

Anteontem foi encontrada morta com três facadas e sangue entre as pernas. Seu assassino também era menor de idade.

Virou pastor.

Semana passada fez uma pregação bonita sobre a vingança de Deus.

Wesley Brasil
8/02/2015, 9:48 pm

Desconexas palavras relacionadas

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Já não leio nem escrevo. Pelo bem da verdade, não faço a menor ideia desta pequena aventura textual. Talvez seja a alma transbordando sabe-se-lá-de-quê.

Sei que sinto fome de palavras. Fome da poesia tão rebelde que ignora rimas, chuta a métrica e não se importa nem com a mensagem. Uma poesia pelo prazer de ser poesia. Rebelde.

Quando a alma transborda fica difícil ir no fundo. Porque o copo cheio é mais complexo de mergulhar. Nexo? Tem muito de onde vêm as idéias. De onde parte a imaginação.

Quero a rebeldia das palavras aleatórias. Quero o sentimento, seja qual for, invadindo minhas linhas. Quem sabe assim escrevo um poema?

Sei não. Lá no fundo somos todos apenas sujeitos sem predicados.

Wesley Brasil – Opinião
31/01/2015, 4:18 pm

2015: “um ano necessário” para a cultura da Baixada

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Final do ano passado tive um papo com Heraldo HB que já mostrava como seria esse ano

Wesley Brasil – Opinião
24/01/2015, 2:35 pm

O B_eco Festival é uma volta às origens

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Nosso papo de "block party" é muito menos gringo do que se imagina

Wesley Brasil
19/01/2015, 9:48 pm

A cerveja não tinha mais gosto. Ribamar não enxergava razão para sua existência medíocre.Falta de...

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A cerveja não tinha mais gosto. Ribamar não enxergava razão para sua existência medíocre.

Falta de cachaça na ideia.

Wesley Brasil – Opinião
12/01/2015, 9:19 pm

Sobre o caso do Point da Moto: o que me assusta mesmo é a reação da galera

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Sexta-feira poderá ser um dia emblemático para a história de Nova Iguaçu

Wesley Brasil
11/01/2015, 9:48 pm

Sem título, 11/1/2015

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Todo dia acaba depois da meia-noite. As sombras das cortinas insistem em atrapalhar o sono azedo.

É só isso. É só insônia.

Wesley Brasil
5/01/2015, 9:49 pm

Os tristes não são amados

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Já amei, confesso. Culpado! Mas quem nunca amou, né? Seja seu bichinho de estimação, seja seu trabalho, seja seus pais, seja a “pessoa amada”. Então vamos todos pra cadeia.

Dizem que quem nunca amou é uma pessoa triste. Mentira deslavada, essa. Triste mesmo é quem nunca foi amado. Imagina só, dormir sabendo que ninguém pensa em você? Ou pior: estar nos seus últimos suspiros e lhe ocorrer que no seu funeral só estará o coveiro e alguém que pagou o enterro.

Não ser amado deve ser bem vazio. Fico imaginando gente encurvada, caminhando de roupa preta, se escondendo nas sombras, olhando pro nada… Umas pessoas dignas de histórias da Disney, prontas pra oferecer uma fruta envenenada com uma louca poção do amor.

Deve ser muito triste não ter ninguém que te ame. Não se sentir desejado como realmente se merece.

Mas não somos todos um pouquinho tristes lá no fundo?